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3 de Dezembro, 2012 - 06:55
  Vinicius de Carvalho

   Sinal dos tempos
     

Nesta semana tive a oportunidade de participar de uma homenagem oferecida pelo deputado Mauro Savi em sessão solene para entrega da comenda do mérito cultural Lenine de Campos Póvoas. No rol dos agraciados com a comenda estavam Vanessa da Mata, Otaviano Costa, Pescuma, Henrique e Claudinho, Humberto Espíndola, Manoel de Barros e instituições, como a Secretaria de Cultura, a Academia Mato-Grossense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico, do qual sou o atual presidente.

Foram feitos vários pronunciamentos sobre Lenine Póvoas. Fui convidado para falar em nome de todos os contemplados. A trajetória profissional de Lenine Póvoas me induziu a algumas reflexões sobre os tempos de outrora em Mato Grosso, assim como a sua evolução profissional e demográfica.

Lenine Póvoas transitou com desenvoltura entre áreas hoje bastante compartimentadas, como a política, a burocrática, a artística e a científica. Foi deputado estadual por dois mandatos, ministro fundador (hoje conselheiro) do TCE, professor também fundador da Faculdade de Direito da UFMT, vice-governador de Pedro Pedrossian (1966-1971), secretário de Estado nos Governos Fragelli e Garcia Neto e, por fim, sócio efetivo da Academia Mato-Grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico.

Hoje é muito difícil encontrar alguém com um currículo destes, por uma série de razões. Primeiro porque o Brasil de forma geral e Mato Grosso em particular eram uma “terra de iletrados”. Lenine fez parte daquela pequena elite cultural que estudava no Rio de Janeiro, então capital federal, e retornava a seu Estado de origem. Para que se tenha uma ideia do quadro desta época basta dizer que em 1940 a taxa de analfabetismo em Mato Grosso atingia a 61,9% da população com mais de dez anos e a escolarização de crianças na faixa etária obrigatória (7 a 14 anos) era de 27,2%.

O número de empregados na administração pública era de apenas 844 em todo o Estado, para uma população de cerca de 190 mil habitantes, sendo 75% na zona rural e 25% urbana. Isto quebra um pouco o argumento de o Estado era “movido” pela administração pública, já que a atividade primária empregava neste mesmo ano mais de 35 mil pessoas. Vemos, portanto, que a base para recrutamento de profissionais mais qualificados era muito restrita. Por isto, os portadores de diploma de ensino superior acumulavam funções em várias áreas. No caso específico do sistema político, sua democratização e as mudanças demográficas acabaram incorporando novos atores e promovendo o que se chama de “circulação de elites”.

Outro aspecto foi a profissionalização experimentada por cada uma destas áreas, que acabou isolando-as entre si. No meio acadêmico a correta e crescente exigência de titulação em nível de mestrado/doutorado para lecionar acabou mantendo na carreira apenas aqueles dispostos ao seu estilo de vida e dificultou o acúmulo com outras áreas. Na área burocrática o nível de cobrança dos concursos públicos e a proibição constitucional de acumular cargos também profissionalizaram este quadro. Por fim, o perfil das elites políticas hoje aponta cada vez mais para os chamados “políticos profissionais”, aqueles que emendam vários mandatos e acabam montando verdadeiros grupos, compostos por meios de comunicação, empresas, partidos, igrejas, sindicatos, prefeituras, etc. Os “novos” nomes que passam a exercer os cargos são, na sua maioria, egressos desta grande máquina montada para financiar eleições e sustentar os mandatos eletivos do ponto de vista político.

Portanto, trajetórias como a de Lenine Póvoas e outros como Dom Aquino e Barão de Melgaço ficam cada vez mais raras e inspiradoras. É o sinal dos tempos.

Vinicius de Carvalho Araújo é gestor governamental do Estado, mestre em História Política, professor universitário escreve neste blog toda segunda-feira - vcaraujo@terra.com.br www.professorviniciusaraujo.blogspot.com

Fonte: RD News

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