Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Bem vindo ao Nortão News, Juara 17 de Dezembro de 2017
Quem Somos   I   Contato
  INÍCIO  
  NOTÍCIAS  
  EVENTOS  
  VÍDEOS  
  ARTIGOS  
  FAVORITOS  
 ARTIGO
3 de Dezembro, 2012 - 07:10
  NEILA BARRETO

   A Bela do Juiz
     

Mulheres inteligentes, fortes ou frágeis não necessitam de bisturis ou silicone. Têm outra beleza. Beleza imune à velocidade excessiva, lúdica e trágica, onde cada ruga conta uma bela história de vida. Somos nós amanhã, herdeiras de uma sociedade

Neste verão você quer ser sereia ou baleia? Referindo-se a um chamamento público às mulheres, assim procedeu uma academia de ginástica em uma propaganda, por meio de outdoor, na cidade de São Paulo (SP). Meu coração doeu... E as mulheres continuam fazendo a sua história e enfrentando tantos preconceitos.

Mais adiante..., há um tempo, outra colocação na mídia diz que mulher independente que fez opção por um amor proibido e teve coragem de assumir é comparada a “cavala”... Quanta indelicadeza! ... Que horror !... Será que foi sempre assim?... Não creio!... Vou passear por memórias e documentos para saber mais sobre essas adjetivações dadas às mulheres.

Triste e, ao mesmo tempo curiosa, fui procurar nas memórias de documentos e escritores cuiabanos casos semelhantes para verificar se o tratamento também era assim, lá pelos idos do século XVIII. Encontrei vários, porém, nos relatórios policiais um caso em especial chamou-me a atenção. O do Ouvidor João Antônio Vaz Morilhas, relatado pelo historiador Rubens de Mendonça.

Fiquei surpresa!... O tratamento era afetuoso!... Respeitoso... Gostoso de ouvir... Digno dos seres humanos, mesmo nos momentos mais íntimos de suas fraquezas.

Residia na Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá, em 1749, o Ouvidor João Antônio de Vaz Morilhas, considerado a elegância masculina da época. Culto, homem da lei, a mais alta autoridade da época na Vila. Gostava de dinheiro, poder e, também, de mulheres, segundo o historiador Rubens de Mendonça.

Certa mulher, relatada como a Eva, se encantou por ele e escolheu o Ouvidor como amor proibido. Ambos se encontravam sob a luz de lamparina no prédio da ouvidoria, próximo ao prédio dos Correios e Telégrafos, antiga casa da Câmara, depois residência oficial dos Ouvidores, desde 1730, em Cuiabá.

Morilhas reinou até 7 de janeiro de 1752, pois a partir daí a primeira autoridade da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá passou a ser Antônio Rolim de Moura, governador da recém-criada Capitania de Mato Grosso.

Isolados, no meio do sertão, Rolim de Moura passou a amar a mesma Eva de Morilhas. Por causa dessa Eva, ambos se desentenderam. Na guerra pela mesma mulher, não conseguindo destituir Morilhas, Rolim de Moura mandou deportar a amada para Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), alegando ser ela a causa de distúrbios na Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá.

Benta Cardoso era o nome dessa Eva. Benta desobedecera às ordens do governador e por essa desobediência foi presa na cadeia em Cuiabá. Era isso mesmo que o Ouvidor e Benta queriam....  O presídio ficava no largo da igreja Matriz, próximo a Ouvidoria. Os presos e as presas ficavam sob a custódia do Ouvidor. A prisioneira saia todas as noites para ir ao encontro do seu amado, o Ouvidor Morilhas.

Fracassado por não conseguir separar os amantes, Rolim de Moura acusara o Ouvidor Morilhas de exercer comércio clandestino e o deporta para Belém do Pará, colocando fim ao amor proibido.

No entanto, esse amor foi tão forte que na Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá, a Rua dos encontros ficou conhecida como Rua Bela do Juiz. Esse nome permaneceu até 3 de junho de 1871, quando a mesma passou a ser denominada Rua 13 de Junho, proposta do vereador Joaquim Alves Ferreira, em homenagem a retomada de Corumbá, até os atuais dias.

Por outro lado, mulheres inteligentes, fortes ou frágeis não necessitam de bisturis ou silicone. Têm outra beleza. Beleza imune à velocidade excessiva, lúdica e trágica, onde cada ruga conta uma bela história de vida. Somos nós amanhã, herdeiras infelizmente de uma sociedade cujos valores mais importantes são a juventude e o progresso, conforme afirma a historiadora Mary Del Priore, em seu livro Histórias do Cotidiano.

Fica, também, o desafio, já catalogado como um dos dizeres populares: “Quem nunca errou que atire a primeira pedra”. Talvez o mais difícil seja justamente ir ao âmago da questão, detectando que tipo de erro foi cometido, ou se isso pode mesmo ser qualificado de falha, do ponto de vista da humanidade lúcida. É o há..

NEILA BARRETO é jornalista e historiadoda.

Fonte: Hipernoticias

* O NortãoNews não se responsabiliza por comentários postados abaixo!
 0 Comentários  |  Comente esta matéria!
 Mais Artigos
18/05/2016
26/02/2016
01/12/2015
20/11/2015
30/06/2015
02/02/2015
21/04/2014
09/02/2014
 menos  1   2   3   4   5   6   7   mais 
 Enquete
Oque você cidadão pensa sobre a CPI criada pela Câmara ?
Foi necessária sua Criação.
A CPÍ só atrapalha o município e seus municípes.
Foi formada apos solicitação do MP.
Não existe nada de errado aparentemente na gestão Luciane Bezerra para uma CPI

 Artigos
  INÍCIO  
 
  NOTÍCIAS  
 
  EVENTOS  
 
  VÍDEOS  
 
  ARTIGOS  
© 2017 - Todos direitos reservados