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27 de Setembro, 2013 - 06:14
   Gabriel Novis Neves

   ESTÃO CHEGANDO AS MANGAS
     

A qualquer momento serei premiado com o anúncio da chegada das mangas. A natureza se manifesta ruidosamente com ventos fortes, trovões, raios e finalmente a abundante chuva, ou como querem os eruditos – torrencial chuva.

A nova geração desconhece o significado deste transtorno que produz mortes, inundações, desabamentos, queda de árvores centenárias, postes, modernos painéis de publicidade e engarrafamentos do trânsito.

Os jovens dizem que apenas sentem medo e pensam no final do mundo diante de tanta fúria da natureza.

Os mais antigos comemoram a chegada da temporada das mangas. Esta chuva que espero tem o nome de chuva das mangas. É só aguardar alguns dias e as mangueiras estarão expondo os seus frutos.

Assim como o pacú é símbolo de Cuiabá proteína-alimentação, a manga é Cuiabá fruta-sobremesa.

Na cidadezinha dos anos quarenta as ruas de Cuiabá tinham a sua arborização feita de mangueiras. Eu morava na Rua de Baixo (Galdino Pimentel) e estudava na Praça Ipiranga (13 de Junho). Esse trajeto todo era cheio de mangueiras. Na ida para a escola pública namorava as minhas futuras vítimas. No retorno com a hipoglicemia dando sinais clínicos de fome praticava o “crime” de abatê-las, e, que gostoso, utilizá-las como medicamento até chegar em casa para o almoço.

Naquela época seria impossível pensar em casa em Cuiabá sem quintal. Mudamos da Rua de Baixo para a Rua do Campo (Barão de Melgaço) com fundos para a Rua da Fé (Comandante Costa). O nosso quintal ficava escondido do sol pelas mangueiras. Tínhamos mangas bourbon, rosa, espada, coquinho e coração de boi. Quando o almoço demorava a ser servido, era no restaurante do quintal que saciava a minha fome. Lembro-me com emoção o prazer de subir ao pé da mangueira e degustar a manga lá no galho mais perigoso.

Nós somos parecidos às mangueiras na sua reprodução. As mangueiras inicialmente produzem flores, algumas as perdem precocemente. Nos seres humanos seria o micro aborto. Logo vem as pequenas frutas com possibilidade de perdas também. Entre nós é o aborto precoce. Os frutos um pouco maiores, as mangueiras às vezes não aceitam. É o aborto fetal.

Quando já identificamos as pequenas mangas, há outra possibilidade de insucesso. Nos vivos são os partos prematuros. As mangas amadurecidas podem ser colhidas à mão. São os nascimentos por cesariana. Outras caem espontaneamente no chão. São os chamados partos naturais.

Há muita semelhança no desenvolvimento das mangas e dos seres humanos. Tanto as mangas como as crianças são filhos da mãe natureza. Perfeitos no nascimento e muitas vezes destruídos pelo ambiente em que são colocados ou vividos.

Como as mangas, sempre necessitamos de um susto, mesmo climatológico, para amadurecer e prepararmo-nos para o nosso destino: a reprodução. Resta-nos paciência para aguardar as chuvas transformadoras.

O momento é este – de expectativa.

As chuvas estão chegando.

Gabriel Novis Neves, ex-reitor da UFMT, é médico em Cuiabá.

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