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13 de Novembro, 2013 - 09:29
“A liberdade que tem existido até agora na internet não está garantida para o futuro” alerta pioneiro das redes sociais
     

“A liberdade que tem existido até agora na internet não está garantida para o futuro”, alerta Howard Rheingold, professor da Universidade de Stanford (EUA), um dos pioneiros no estudo das redes sociais

Howard Rheingold estuda internet e redes sociais desde a década de 1980 | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Samir Oliveira – Sul21

Professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Howard Rheingold, 66 anos, é um dos pioneiros no estudo das redes sociais na internet. Em 1993, ele cunhou o termo “comunidade virtual” ao lançar o livro The Virtual Community.

Desde a década de 1980, o acadêmico estuda temas relacionados à interação social por meio da internet, em um período em que, para se ter acesso à Web, era preciso estar dentro de uma universidade. Em 2002, o professor lançou o livro Smart Mobs, em que previu a integração entre telefonia móvel e informática.

"Hoje em dia, não são apenas estudantes universitários, professores e pesquisadores que podem estar nas redes” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Howard Rheingold esteve em Porto Alegre nesta semana para participar do XII Seminário Internacional de Comunicação realizado pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS. O professor recebeu a reportagem do Sul21 para falar sobre seus estudos e as implicações políticas e sociais do uso da internet no século XXI.

“O Facebook não é democrático – seus usuários não possuem voz na determinação de suas políticas”

Sul21 – Em que sentido as redes sociais existentes hoje são diferentes das comunidades virtuais que o senhor estudou na década de 1990?

Howard Rheingold – Hoje, quando se fala em comunidades virtuais, a maioria das pessoas pensa em Twitter, Facebook e Tumblr. As comunidades virtuais daquela época eram baseadas somente em textos. A lógica era o compartilhamento de interesses. Isso ainda existe sob várias formas. Em algumas comunidades que estudei no passado, como The Weel (Whole Earth ‘Lectronic Link) e UseNet, as pessoas discutiam diferentes assuntos. Hoje, na maioria das comunidades – a não ser Twitter e Facebook -, os debates são focados em interesses específicos, como jogos, doenças ou animais de estimação.

Sul21 – Essas comunidades têm crescido desde a década de 1990?

Howard – Nos anos 1990, havia muito menos gente on line e não era em qualquer lugar que estavam conectados. Embora a UseNet exista desde 1980, era preciso estar em uma universidade para acessá-la. Hoje em dia, não são apenas estudantes universitários, professores e pesquisadores que podem estar nas redes.

“As pessoas são capazes de organizar ações de uma maneira que era impossível” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – A internet se tornou uma ferramenta mais democrática?

Howard – Se usarmos a palavra “democratizar”, entenderemos que algo que era disponível somente a uma elite se tornou disponível a um maior número de pessoas. Já a palavra “democrático” diz respeito a pessoas decidindo como devem se governar. O Facebook, por exemplo, não é democrático – seus usuários não possuem voz na determinação de suas políticas. No UseNet, quando um novo grupo estava para ser criado, havia debates e votação.

“A combinação entre telefone, internet e computador pessoal – o que hoje chamamos de SmartPhone – está diminuindo as barreiras para a ação coletiva”

Sul21 – Como o senhor avalia o papel da internet e das redes sociais nas grandes manifestações que ocorreram no Egito, na Turquia, na Espanha e no Brasil?

Howard – Escrevi um livro em 2002, há quase 14 anos, chamado “Smart Mobs: The Next Social Revolution”. Nele, eu dizia que o futuro já estava acontecendo. Nas Filipinas, as pessoas utilizaram SMS para organizar manifestações e derrubar um presidente. Na Coreia do Sul, em 2000, jornalistas cidadãos utilizaram o site Oh My News, o que acabou modificando o resultado da eleição presidencial naquele ano. Então é algo que vem ocorrendo há bastante tempo. O motivo pelo qual demorou um pouco para chegar ao Egito, ao Brasil e ao Chile se deve à aprendizagem das pessoas no manejo desses mecanismos. O que escrevi naquele livro foi que a combinação entre telefone, internet e computador pessoal – o que hoje chamamos de SmartPhone – está diminuindo as barreiras para a ação coletiva.

Sul21 – Esse processo se intensificou desde então?

Howard – As pessoas são capazes de organizar ações de uma maneira que era impossível. Nãosão sempre manifestações pacíficas ou democráticas, mas, pela primeira vez, as pessoas são capazes de organizar protestos de massa muito rapidamente. Particularmente no Egito e no norte da África, o YouTube foi uma ferramenta muito importante. Quem tinha medo de ir às ruas percebia, pelos vídeos, que outras pessoas estavam se manifestando. Não sei qual o resultado dos protestos aqui no Brasil. Não sei se é algo que irá se transformar em um movimento ou se terá alguma influência política. Mas sei que o que aconteceu aqui atraiu muita atenção e não teria ocorrido na velocidade e escala que ocorreu sem as redes sociais.

Sul21 – Na sua opinião, o jornalismo está sabendo aproveitar todas as facilidades fornecidas pela internet?

Howard – Os jornalistas precisam aprender como usar RSS, como pesquisar na internet, como usar Twitter, Facebook, YouTube e como organizar redes de informantes confiáveis, para que possam saber a quem recorrer para verificar se um rumor é verdadeiro ou não. O papel do jornalista ainda é o mesmo de sempre: verificar informações, estar presente onde os fatos estão ocorrendo, colocar as informações em um contexto, criar uma narrativa que as pessoas possam entender e encontrar fontes que possam abordar diferentes aspectos de uma pauta. Antes, jornalistas e repórteres eram uma mesma pessoa. Mas, agora, os jornalistas têm milhões de repórteres. Todo mundo tem um SmartPhone e envia vídeos e fotos nas redes instantaneamente. Isso não significa que essas pessoas irão checar as informações, contextualizar os fatos e construir uma narrativa que faça sentido. Então os jornalistas não precisam aprender apenas a usar as ferramentas digitais, mas a cultivar e gerenciar redes de contatos.

“A mídia corporativa ainda tem um poder tremendo – mas não é o único poder”

Sul21 – A mídia tradicional perde força com a consolidação da internet?

Howard – A mídia corporativa costumava ser a única mídia a qual as pessoas tinham acesso. Hoje, em apena um dia, tem mais vídeos sendo colocados no YouTube do que em toda a história da televisão tradicional. Em muitos casos, as pessoas tomam conhecimento dos fatos pelas redes, antes que saia na grande mídia. E assuntos que mídia corporativa jamais cobriria estão disponíveis às pessoas. A mídia corporativa ainda tem um poder tremendo – mas não é o único poder.

"Nos Estados Unidos têm muitas áreas em que se requer que a polícia porte câmeras em seus carros. Isso tem um efeito sobre o seu comportamento” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – O senhor chegou a ouvir falar sobre a Mídia Ninja aqui no Brasil?

Howard – Não.

Sul21 – Trata-se de um grupo de jornalistas-ativistas que transmite os protestos ao vivo de seus celulares.

Howard – Havia algo semelhante, chamado IndyMedia, organizado pelos Zapatistas no México e nos protestos de Sattle em 1999, durante a reunião da Organização Mundial do Comércio. Eram ativistas que ficavam em um lugar e transmitiam as informações. Era difícil, naquela época, conseguir uma boa conexão e colocar as informações de forma instantânea na internet. Em outros países, o uso de um telefone celular para capturar cenas de violência policial tem se tornado bastante frequente. Sempre existiu violência policial, mas antes não era possível transmiti-la a um grande número de pessoas. Nos Estados Unidos têm muitas áreas em que se requer que a polícia porte câmeras em seus carros. Isso tem um efeito sobre o seu comportamento.

“Poderá ser muito difícil acessar o YouTube no futuro” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Qual o papel do Estado na regulamentação de direitos e deveres na internet? No Brasil, o governo federal tenta aprovar uma legislação neste sentido, chamada de Marco Civil.

Howard – O Estado realmente não entendia no que a internet iria se transformar quando tudo começou. A arquitetura descentralizada da internet a torna algo muito difícil de ser controlado por governos e corporações. E toda a questão de neutralidade na rede realmente afeta interesses corporativos que, em conluio com o Estado, tentam obter novamente um controle que foi perdido. A maioria das pessoas não entende as questões políticas por trás das tecnologias, mas são problemas que irão afetar nosso futuro. Se a neutralidade na rede for alterada, as corporações que transmitem o tráfego de dados poderão escolher qual tráfego irão disponibilizar e quanto irão cobrar por isso. Poderá ser muito difícil acessar o YouTube no futuro. Trata-se de uma batalha pela liberdade de inovar e pela livre organização de mídias cidadãs. Não acredito que a liberdade que tem existido até agora esteja garantida para o futuro. O Estado e as corporações não estão mais ignorantes quanto ao poder descentralizador da internet e trabalham duro para controlá-lo novamente.

“O papel de um governo é permitir a inovação e inibir os controles de monopólios”

Sul21 – Neste sentido, é positiva uma legislação federal que assegure a neutralidade na rede?

Howard – Se não fosse pela intervenção do governo, não haveria internet. Sem regulação governamental, não haveria internet. O papel de um governo é permitir a inovação e inibir os controles de monopólios.

Sul21 – Até que ponto já não estamos todos sob constante vigilância ao utilizar a internet?

Howard – Isso não é uma surpresa. Tenho alertado sobre isso há anos, mas as pessoas não parecem se importar. O poder e a conveniência de sites como Amazon e Facebook é muito mais atrativo do que o medo que as pessoas possam ter de estar sendo vigiadas. Agora eu acho que é tarde demais, tecnologicamente falando. Olhe ao redor, tem câmeras por toda parte. Logo poderão reconhecer o rosto de todo mundo e quem tiver acesso a isso terá acesso ao poder de vigiar e controlar. A não ser que haja um movimento popular de resistência e algum tipo de proteção legal, estados, corporações e indivíduos usarão esse poder. Não se trata somente do poder do Estado. São corporações querendo vender. É por isso que Google e Facebook coletam informações: não porque querem exercer controle político sobre as pessoas, mas porque querem saber o que vender a elas. Mas essa mesma informação pode ser utilizada pelo Estado. A única proteção dos cidadãos em uma democracia é ter um sistema legal que diga que o Estado não pode pegar seus dados a não ser que tenha provas contra você, que exista um mandado expedido pela Justiça e que haja um julgamento. Quando isso deixa de existir, essas ferramentas acabam sendo muito úteis para pessoas autoritárias e para ditaduras.

"O mesmo sistema que permite viglância generalizada também torna mais difícil a preservação de segredos” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Quando o senhor começou a estudar a internet, nos anos 1980, como pensava que as pessoas estariam utilizando essa ferramenta nos anos 2000?

Howard – Você pode verificar isso pelo livro que escrevi em 1985, provavelmente muito antes de você ter nascido, chamado “Tools for Thought”. O livro inteiro está no meu site rheingold.com. E também escrevi um livro chamado “The Virtual Communitty”, em 1993, que também está no meu site. Naquela época, eu já estava alertando para o mau uso da tecnologia por governos e corporações. Mas não era algo para qual as pessoas ligassem.

Sul21 – E hoje em dia o senhor acha que o assunto é levado mais a sério?

Howard – Acho que as revelações de Snowden têm sido muito importantes para fazer com que as pessoas se importem com isso. Ele foi muito mais espero que Wikileaks, que tornou público 250 mil documentos de uma só vez. Os jornalistas com os quais Snowden trabalhou, como Gleen Greenwald, que vive no Brasil, têm sido muito cuidadosos na organização e divulgação das revelações. Existem novas notícias toda semana. Primeiro, que a NSA espionava o Google. Depois, a presidente do Brasil. Depois a chanceler alemã. É um tipo muito inteligente de jornalismo, porque faz com que as pessoas fiquem constantemente falando sobre o assunto. E não fique surpreso se o próprio governo brasileiro não estiver fazendo o mesmo (espionando outras nações). Na China, o governo deixa claro que monitora as comunicações. Isso não impede os chineses de encontrar maneiras de falar sobre certos assuntos e de organizar manifestações. Essa luta entre poder e contra-poder irá continuar. Pessoas comuns têm, hoje, ferramentas que nunca tiveram antes. A polícia sempre pôde utilizar rádio para se comunicar. Agora, temos 6 bilhões de celulares no mundo e 2 bilhões de pessoas na internet. Existe um tremendo poder do Estado para vigilância, mas também temos cidadãos capazes de organizar protestos e denunciar com vídeos os abusos policiais. O mesmo sistema que permite essa vigilância generalizada também torna mais difícil a preservação de segredos. É uma queda de braço e a questão principal é: o que as pessoas sabem

Fonte: Pagina do E
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