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 Brasil e a China.
19 de Novembro, 2019 - 00:19
RELAÇÕES EXTERNAS: Brasil e China terão grupos de trabalho para ampliar comércio
     

 As pastas da Economia dos dois países estabeleceram a criação de grupos de trabalho compostos por funcionários da área de “inteligência comercial” para identificar problemas e barreiras não tarifárias que impedem um maior fluxo de mercadorias nas duas direções, segundo uma fonte do governo brasileiro explicou ao Valor.


Mapeamento de oportunidades - A ideia é buscar mais intensamente mapear oportunidades e descobrir pontos de dificuldades específicas para expandir o comércio entre os dois países. Seria como um dever de casa que ficou acertado entre os ministérios da Economia dos dois países após encontro ocorrido em meio à XI Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).


Falha - A escorregada que o ministro da Economia, Paulo Guedes, cometeu ao dizer que o Brasil negociava um acordo de livre-comércio com a China ocorreu porque o ministro se empolgou após as conversas com representantes chineses. Ele ouviu dos asiáticos que não havia qualquer preocupação com o fato de Brasil ter superávit comercial e que o interesse era aumentar a corrente de comércio - ou seja, o volume de vendas e compras.


Saldo - Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia mostram que, de janeiro a outubro, o Brasil vendeu US$ 51,5 bilhões e importou US$ 30,1 bilhões. Nesse período, as exportações brasileiras tiveram queda de 3,1% ante igual período de 2018 enquanto as compras de produtos do país de Xi Jinping subiram 0,7%.


Maior comprador - Individualmente, a China é o maior comprador de produtos brasileiros no exterior. O problema é que, em grande medida, a pauta exportadora brasileira para lá é composta de produtos básicos, como soja, petróleo e minério de ferro. Nos dez primeiros meses do ano, os produtos básicos vendidos à China somaram US$ 45,7 bilhões.


Manufaturados - No encontro com os chineses durante a reunião do Brics, Paulo Guedes disse que gostaria de ampliar a venda de bens manufaturados, que têm maior valor adicionado e que até outubro o Brasil tinha vendido menos de US$ 1bilhão aos chineses. Para o ministro, não faz sentido para uma economia complexa e do porte da brasileira vender quase que somente soja e minério para os chineses.


Desenho oposto - No lado asiático, o desenho da pauta exportadora para o Brasil é praticamente o oposto. Os produtos manufaturados representaram quase todo volume, US$ 29,5 bilhões, enquanto os básicos somaram apenas US$ 451 milhões.


Identificação - Uma das ideias advindas da conversa bilateral é que os grupos de trabalho identifiquem produtos que cada país vende intensamente para outros lugares do mundo e que não tem peso no comércio bilateral. A partir daí, verifica-se o que poderia ser feito para melhorar isso e ampliar vendas e compras - por exemplo, às vezes, um produto pode ter dificuldade de vendas por questão de adaptação a padronizações locais, que podem ser identificadas e corrigidas.


Susto - Apesar de ter sido posteriormente corrigida e esclarecida, a declaração do ministro Paulo Guedes sobre a possibilidade de uma área de livre comércio entre Brasil e China deixou os empresários locais assustados. É que a indústria brasileira já sofre com a competição dos asiáticos mesmo tendo proteção tarifária e, em alguns casos, barreiras não tarifárias, como medidas antidumping.


Agenda incipiente - A agenda de intensificação do comércio bilateral, contudo, ainda é incipiente, deve-se ressaltar. Os grupos de trabalho sequer estão formados, havendo apenas uma ideia geral de quem irá compor e qual a tarefa a ser cumprida. A ideia é que a partir desta semana se comece efetivamente a pensar em como fazer para traduzir a proposta genérica em resultados concretos positivos para os dois países.


 

Fonte: P do A.
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