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 Soja e o Mercado.
3 de Dezembro, 2019 - 11:39
Soja: Após 8 baixas consecutivas, mercado em Chicago sobe nesta 3ª feira
     

 O mercado da soja sobe na Bolsa de Chicago neste dia. As cotações, por volta de 8h30 (horário de Brasília), subiam entre 4 e 5,50 pontos nos principais contratos, levando o janeiro a US$ 8,74 e o maio a US$ 9,05 por busel.


Segundo explicam analistas da consultoria internacional Allendale, Inc., o mercado passa por uma correção técnica depois das baixas de ontem, com alguma recompra de posições por parte dos fundos. Apesar disso, a política ainda domina as conversas na CBOT.


"O mercado da soja observa o clima na América do Sul e os conflitos políticos dos EUA com a China, o Brasil e a Argentina", diz a Allendale.


Além disso, como explica o consultor Steve Cachia, da AgroCulte e Cerealpar, "depois de oito dias consecutivos de baixa, traders entendem que o mercado está sobrevendido e, portanto, vulnerável a uma recuperação técnica. No entanto, o pessimismo em relação a possibilidade de um acordo comercial EUA/China predomina".


Ademais, Cachia acredita que com a nação asiática relativamente bem abastecida até a entrada da nova safra brasileira, "o país também não vai ceder tão facillmente às exigências de Trump. Sem acordo, as cotações futuras de soja seguem sob pressão".


E ao mesmo tempo em que não há demanda intensa no mercado norte-americano, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informa que, até o último dominfgo (1), a colheita da soja já chega a 96% da área, alinhada com os números do ano passado, com as expectativas e ligeiramente menor do que os 99% da média dos últimos cinco anos.


Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:


Soja fecha em baixa na Bolsa de Chicago com preocupações sobre China e EUA


O mercado da soja na Bolsa de Chicago iniciou o dia operando com estabilidade, mas no final do dia passou para o lado negativo, intensificou suas baixas e fechou os negócios com perdas de mais de 7 pontos nos principais contratos na sessão desta segunda-feira (2).


Apesar das notícias de um possível acordo parcial entre China e Estados Unidos ainda este ano, o mercado sente a pressão de especulações de que os dois países não alcançarão um consenso ainda em 2019. E parte disso, como mostram informações apuradas pela Agrinvest Commodities, reflete os comentários de Wilbur Ross, secretário de Comércio dos EUA, de que o presidente Donald Trump deveria colocar em vigor as tarifas mais altas sobre produtos chineses que estão previstas para 15 de dezembro.


Além do acordo com a nação asiática cada vez mais distante, Trump ainda informou nesta segunda-feira sobre a restauração de tarifas sobre aço e alumínio do Brasil e da Argentina, acusando ambos os países de promoverem uma desvalorização de suas moedas, prejudicando os agricultores norte-americanos.


"Brasil e Argentina têm presidido uma desvalorização maciça de suas moedas. O que não é bom para nossos agricultores", escreveu Trump em uma rede social. "Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todo o aço e o alumínio enviados para os EUA a partir desses países", disse o presidente pelo Twitter.


"O Federal Reserve deveria agir da mesma forma, para que países, que são muitos, não se aproveitem mais do nosso dólar forte, desvalorizando ainda mais suas moedas. Isso torna muito difícil para nossos fabricantes e agricultores exportarem seus produtos de maneira justa", completou o presidente americano pela rede social.


A retórica protecionista de Trump segue causando alguns efeitos negativos no mercado financeiro, e as commodities não ficam de fora. "O presidente americanos segue gerando muito conflito político, até com a América do Sul. A fase um do acordo com a China está cada vez mais distante", explica Matheus Pereira, diretor da ARC Mercosul.


E os traders tentam se desvencilhar das notícias políticas, mas o movimento acaba sendo muito rápido. "O mercado até testou altas no começo do dia, com os mapas secos na Argentina, mas a política domina o mercado agrícola. Há muito risco", completa Pereira.


ARGENTINA


O país sofre com a falta de chuvas bem distribuídas entre as regiões produtoras neste momento e as previsões para os próximos dias ainda não são favoráveis.


As previsões seguem mostrando a continuidade de um padrão ainda bem seco para a Argentina, pelo menos, nos próximos 10 dias, até o intervalo de 11 a 14 dezembro para toda a região sojicultoura do país, como explica o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira.


DEMANDA


Nem mesmo os bons embarques semanais informados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira foram capazes de motivar o mercado.


Na semana encerrada em 28 de novembro, os embarques semanais de soja somaram 1.547,507 milhão de toneladas, enquanto o mercado esperava algo entre 1,4 milhão e 2 milhões de toneladas. No acumulado, os EUA já embarcaram 15.941,477 milhões de toneladas, 20% mais do que no ano comercial anterior, neste mesmo período.


PREÇOS NO BRASIL


No Brasil, a segunda-feira foi de preços em baixa em quase todo o país, uma vez que além dos futuros da soja em Chicago, o dólar também caiu frente ao real neste início de semana e ajudou a pressionar os indicativos. A moeda americana encerra o dia nos R$ 4,21.


Assim, em algumas praças do interior brasileiro chegaram a perder mais de 1%, como foi o caso de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, ambas praças de Mato Grosso. Respectivamente, os preços terminaram a segunda-feira com R$ 77,00 e R$ 78,00 por saca.


Nos portos, os preços também cederam. Em Paranaguá, baixa de 1,14% no spot e de 0,58% na safra nova, com preços fechando em R$ 87,00 e R$ 86,00 por saca, enquanto em Rio Grande, as perdas foram de 0,80% e 0,57%, para terminarem com R$ 86,30 e R$ 86,50/saca.


 

Fonte: P do A.
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