Agência Brasileira de Inteligência (Abin) publicou, na última terça-feira (28), um relatório que aponta o estado de Mato Grosso como “ponto estratégico” na dinâmica internacional de contrabando de migrantes, crime que consiste em facilitar a entrada ilegal de pessoas em países com o objetivo de obter lucro.
Entre as nacionalidades com maior fluxo no estado, a Abin destacou bolivianos, venezuelanos e indígenas e, em menor número, haitianos, colombianos e cubanos.
Após chegarem a Mato Grosso, parte dos migrantes segue em direção a áreas de forte influência do agronegócio, como os municípios de Lucas do Rio Verde e Sorriso, atraídos pela oferta de trabalho.
Sobre as rotas migratórias, a fronteira com a Bolívia é apontada como fator que facilita o trânsito de migrantes dessa nacionalidade e de indígenas, fazendo com que esse grupo lidere o fluxo no estado.
Ainda de acordo com o relatório, Mato Grosso é classificado como “corredor de passagem em rotas terrestres”, com forte fluxo pela BR-070, no caso dos bolivianos, e pela BR-364, no caso dos venezuelanos, além de estradas vicinais conhecidas como “cabriteiras”.
Segundo a Abin, essas rotas são favorecidas pela ausência de postos oficiais de controle e fiscalização.
Apesar do fluxo intenso, o relatório também destaca que fatores climáticos, como o período de cheia no Pantanal, influenciam as rotas migratórias no estado.
No caso de migrantes vítimas de redes de contrabando, o documento aponta a atuação de grupos que operam por estradas vicinais e rotas clandestinas.
“As vulnerabilidades que favorecem a atuação dessas redes incluem a falta de vigilância constante nas fronteiras e a existência de múltiplas vias vicinais que ligam pequenas comunidades fronteiriças”, diz o relatório.
O esquema envolve a cobrança por serviços que deveriam ser gratuitos, falsas promessas de emprego, controle da mobilidade dos migrantes e a criação de dependência econômica.
O relatório
Intitulado “Contrabando de Migrantes no Brasil: uma análise de inteligência”, o documento foi produzido pela Abin em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e apresenta um panorama atualizado sobre o contrabando de migrantes no país em 2025, com base em dados de campo, cooperação internacional e análises especializadas.
Além de Mato Grosso, outros 13 estados brasileiros são apontados como estratégicos nas rotas migratórias, o que consolida o Brasil como país de origem, trânsito e destino desses fluxos, em razão da extensa fronteira, com mais de 16 mil quilômetros, e da posição geográfica.
Ainda segundo o relatório, plataformas de vídeos curtos, como TikTok e Kwai, além de aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram, têm sido utilizadas para promoção velada, recrutamento e comunicação por parte de contrabandistas de migrantes no país.























