CRISE NA EDUCAÇÃO

Amauri acusa Abilio de criar “cortina de fumaça”, nega rombo de R$ 80 milhões e revela dívida superior a R$ 100 milhões na Educação

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O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, rebateu as acusações feitas pelo prefeito Abilio Brunini (PL) sobre uma suposta irregularidade de até R$ 80 milhões envolvendo contratos de material didático da rede municipal e afirmou que a gestão estaria criando uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção dos problemas financeiros enfrentados pela pasta. Segundo ele, não existe contrato nesse valor dentro da Secretaria de Educação e as denúncias apresentadas pelo prefeito não foram acompanhadas da divulgação de documentos ou processos específicos.

A crise ganhou força após Abilio anunciar que a Controladoria-Geral do Município investiga possíveis irregularidades em compras realizadas entre 2025 e 2026. O prefeito afirmou que a suspeita envolve contratos que podem ultrapassar R$ 80 milhões, incluindo materiais didáticos que teriam sido produzidos por inteligência artificial e adquiridos por valores próximos de R$ 800 por unidade. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal de Contas e demais órgãos de controle.

Amauri negou as acusações e afirmou que os contratos não envolviam apenas livros físicos, mas soluções pedagógicas completas, compostas por material para estudantes e professores, plataformas digitais, avaliações e capacitação continuada. “Não existe livro didático que custe R$ 800. Não existe”, afirmou. O ex-secretário também desafiou a Prefeitura a comprovar que os conteúdos foram produzidos por inteligência artificial e sustentou que as empresas contratadas são editoras reconhecidas nacionalmente no setor educacional.

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Ao responder às denúncias, Amauri afirmou que a situação mais grave da Educação atualmente não estaria relacionada às compras investigadas, mas sim ao passivo financeiro acumulado pela própria gestão. Segundo ele, a pasta possui mais de R$ 100 milhões em restos a pagar, envolvendo contratos, fornecedores e serviços que permaneceram sem quitação. “Mais de R$ 100 milhões de restos a pagar. Só na Educação”, declarou durante a entrevista.

O ex-secretário detalhou ainda que apenas a empresa responsável pelos Centros de Atendimento e Apoio à Inclusão Escolar (CADES) teria cerca de R$ 25 milhões pendentes de pagamento. “Só de CADES, dessa empresa terceirizada, tem lá R$ 25 milhões sem pagar”, afirmou. Segundo Amauri, a falta de repasses financeiros comprometeu contratos, fornecedores e o funcionamento de diversos serviços ligados à rede municipal de ensino.

Amauri também afirmou que a Educação não recebeu integralmente os recursos constitucionais ao longo do período em que esteve à frente da pasta e disse possuir documentos, mensagens e registros que comprovariam os alertas feitos à equipe econômica da Prefeitura sobre atrasos financeiros. Ele afirmou que pretende encaminhar informações aos órgãos de controle para contestar as acusações e sustenta que as investigações devem alcançar toda a estrutura administrativa responsável pelos processos de contratação e execução financeira da Secretaria.

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