APÓS ORDEM JUDICIAL; VEJA

Elefanta deixa Beto Carrero e segue para santuário em Chapada

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Após mais de 30 anos em exposição ao público, a elefanta asiática Baby, de 34 anos, iniciou nesta quinta-feira (18) o deslocamento que marca uma virada em sua trajetória. O destino é o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães, a cerca de 1,9 mil quilômetros do parque Beto Carrero World, em Penha (SC), onde ela vivia.

O início da operação foi confirmado pela equipe do santuário, que celebrou a chegada da elefanta.

“Estamos felizes em anunciar: Baby virá para o Santuário de Elefantes Brasil!”, informou o SEB, destacando que o veículo de transporte e a caixa especialmente adaptada para a viagem já estavam em Santa Catarina.

Segundo os responsáveis, a elefanta se adaptou rapidamente ao equipamento, o que permitiu o avanço imediato do plano de transporte. A viagem será feita em ritmo controlado, com paradas programadas para alimentação, hidratação, descanso e higienização da estrutura, priorizando o bem-estar do animal ao longo de todo o trajeto.

Baby nasceu em 1992 no Busch Gardens, na Flórida (EUA). Ainda filhote, foi retirada do país de origem e vendida a um circo, antes de ser adquirida pelo Beto Carrero World, onde permaneceu por décadas como uma das atrações do parque.

No cativeiro em Santa Catarina, a elefanta viveu por anos em um ambiente marcado por forte presença de estímulos externos, como ruídos de brinquedos, fluxo intenso de visitantes e movimentação constante de público. A estrutura de contenção incluía um fosso com bordas de pedra e cercamento por arame ao redor de todo o perímetro.

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Agora sob observação da equipe técnica do santuário, Baby ainda passa por uma fase inicial de adaptação e conhecimento comportamental.

“Como nossa equipe ainda não passou muito tempo com Baby, não podemos falar muito sobre sua personalidade, mas estamos nos dedicando a conhecê-la melhor”, informou o SEB.

Os primeiros registros indicam um animal ativo e com comportamento intenso. Um dos pontos observados foi a postura da cabeça, frequentemente mais elevada do que o padrão visto em outros elefantes.

A equipe avalia que a característica pode ter diferentes explicações, desde uma variação individual até possíveis desconfortos físicos ou reflexos de estresse acumulado, hipótese que ainda será melhor analisada após a adaptação completa.

Apesar disso, Baby já demonstra sinais de curiosidade e interação com os cuidadores. Segundo o santuário, ela responde a estímulos, emite vocalizações frequentes e apresenta comportamento comunicativo.

“Já ouvimos vários roncos profundos e outros sons desde que chegamos. Ela também tem um olhar bastante expressivo e curioso”, relataram os cuidadores.

 

Batalha judicial 

A transferência da elefanta para Mato Grosso é fruto de uma decisão judicial do início de junho. O juiz Douglas Braida de Moraes, titular da 2ª Vara da Comarca de Penha, determinou que o Beto Carrero World providenciasse o envio de Baby ao Santuário de Elefantes Brasil, e não ao Animália Park, em São Paulo, como pretendia a administração do parque catarinense.

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A ação foi movida pela ONG Princípio Animal, que questionou o plano de transferência para o zoológico paulista e pleiteou o acolhimento no santuário mato-grossense. Durante o processo, o Beto Carrero defendeu o Animália Park como destino adequado, alegando boas práticas de manejo, e a própria instituição paulista manifestou-se favorável ao recebimento de Baby.

Em sentido oposto, o Ministério Público e a equipe do SEB argumentaram em defesa de Chapada dos Guimarães, citando uma área de 300 mil metros quadrados, expertise em manejo especializado e a possibilidade real de socialização da elefanta com indivíduos da mesma espécie, realidade inexistente em seu antigo cativeiro.

Na sentença, o magistrado enfatizou que a socialização relevante para um elefante se dá com seus semelhantes, e não prioritariamente com seres humanos. Como o parque paulista não oferecia garantias de uma existência livre do contato com o público, a balança pesou a favor do santuário, cujo modelo de transição gradual permite ao animal adaptar-se progressivamente a recintos cada vez maiores e mais naturais.

A decisão judicial também impôs ao Beto Carrero World o custeio mensal de cinco salários mínimos ao santuário, durante um período de 12 meses. Além disso, o SEB ficou obrigado a apresentar à Justiça relatórios veterinários e comportamentais da nova moradora a cada dois meses, ao longo dos próximos oito meses, garantindo a transparência e o acompanhamento do processo de reabilitação.

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