A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) reuniu, nesta segunda-feira (6), os presidentes dos Sindicatos Rurais de todo o estado, a Comissão de Agricultura, o Núcleo Técnico e o setor jurídico da entidade para discutir o cenário do endividamento rural e os principais desafios relacionados ao Plano Safra 2026/2027.
O encontro teve como objetivo avaliar os impactos da atual crise financeira enfrentada pelos produtores e definir estratégias conjuntas para fortalecer a atuação institucional da Famato na defesa de medidas emergenciais e estruturantes voltadas ao setor produtivo.
O diagnóstico apresentado durante a reunião demonstra que a agropecuária mato-grossense enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Entre os principais entraves apontados estão as dificuldades de acesso ao crédito, o elevado custo financeiro das operações, as restrições para renegociação de dívidas, a necessidade de fortalecimento do seguro rural e a revisão de normas que hoje limitam a capacidade de recuperação financeira dos produtores.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Sinop, o presidente da Comissão de Agricultura da Famato e 1º vice-presidente da entidade, Ilson Redivo, o principal obstáculo está nas regras que regulam as operações de crédito.
“O maior entrave hoje não é apenas a falta de crédito, mas as regras sobre provisão de risco e garantias, que limitam a capacidade dos bancos de renegociar dívidas. Precisamos construir soluções que garantam condições para que o produtor continue produzindo e mantenha sua atividade econômica”, explicou.
Durante a reunião, os participantes destacaram que muitos produtores ampliaram seus investimentos durante o período de valorização das commodities, mas hoje enfrentam dificuldades para honrar os financiamentos em razão da queda dos preços, do aumento dos custos de produção e das restrições ao crédito.
Outro ponto debatido foi o impacto da Resolução nº 4.966, do Banco Central, em vigor desde 2025, que alterou as regras de provisão de risco das instituições financeiras. Na avaliação dos participantes, a norma reduziu significativamente a margem dos bancos para renegociar operações e ampliou as exigências de garantias, dificultando ainda mais o acesso ao crédito rural.
Durante a reunião, o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar MT), Marcelo Lupatini, destacou que, diante do atual cenário de dificuldades no campo, a disseminação de informações confiáveis e a orientação técnica são fundamentais para que os produtores rurais conheçam seus direitos, acompanhem as mudanças nas políticas públicas e tomem decisões mais seguras para a continuidade da atividade.
“Nosso compromisso é transformar informação em apoio ao produtor. Quanto mais conhecimento e orientação ele tiver, maiores serão as condições de enfrentar os desafios e manter a atividade produtiva”, afirma.
Ao longo da reunião, foram discutidas propostas para minimizar os efeitos da crise, entre elas a securitização das dívidas dos produtores em situação mais crítica, a concessão de carência de duas safras e prazo mínimo de cinco anos para pagamento dos débitos, a revisão das regras de provisão bancária, a redução dos custos cartorários nas renegociações e a criação de um fundo garantidor para ampliar o acesso ao crédito rural.
Os participantes também defenderam a manutenção da articulação política junto ao governo federal, Congresso Nacional e entidades representativas para garantir avanços nas pautas prioritárias do setor, independentemente do cenário eleitoral, além da elaboração de uma proposta técnica unificada envolvendo todas as cadeias produtivas do agronegócio para apresentação ao próximo governo.
O Núcleo Técnico da Famato também reforçou junto aos presidentes dos sindicatos a importância do apoio às pautas tributárias em andamento no Congresso Nacional. Entre elas está o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que busca aperfeiçoar mecanismos relacionados ao crédito rural, e o Projeto de Lei nº 1.648/2024, iniciativa da Famato que propõe mudanças na forma de apuração e fiscalização do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), promovendo maior segurança jurídica aos produtores.
“O cenário exige soluções estruturais. Além da renegociação das dívidas, é fundamental revisar as regras que hoje dificultam o acesso ao crédito e fortalecer instrumentos como o seguro rural. A Famato está trabalhando para reunir as demandas dos produtores e transformá-las em propostas técnicas que garantam segurança e competitividade ao setor agropecuário”, destaca o analista de Agricultura da Famato, Alex Rosa.

























