A cinco dias das eleições, Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD) elevaram o tom no debate promovido pela TV Centro América na noite desta terça-feira (29), em Cuiabá. Incentivos fiscais, segurança pública, infraestrutura e episódios da trajetória dos candidatos concentraram alguns dos principais confrontos.
Um dos embates mais longos ocorreu entre Pivetta e Wellington sobre os incentivos fiscais concedidos pelo Governo de Mato Grosso.
Pivetta defendeu a política como instrumento para atrair investimentos, ampliar a industrialização e gerar empregos. “Em Mato Grosso tem seus programas de incentivo, com objetivo de desenvolver a indústria. Para gerar emprego, renda e desenvolvimento”, afirmou durante o debate.
Wellington contestou o modelo adotado pelo governo e afirmou que aproximadamente 30 empresas teriam deixado de recolher R$ 15 bilhões por meio dos benefícios. O senador também associou empresas ligadas à família de Pivetta à política de incentivos. As afirmações foram apresentadas pelo candidato durante o confronto e passaram a ser um dos eixos da discussão entre os dois.
“Esse recurso é mais que a Saúde, Educação e Segurança juntos”, disse Wellington. Ele afirmou que, caso eleito, pretende condicionar incentivos a empresas que ampliem investimentos e processamento da produção dentro do estado.
Pivetta rebateu as acusações e afirmou que Wellington faltava com a verdade.
BR-163 também vira motivo de confronto
A infraestrutura rodoviária entrou na discussão quando Pivetta mencionou as obras da BR-163 e atacou a atuação de Wellington em Brasília.
“Você sabe disso, porque mandava no Dnit. O Bolsonaro chegou e o tirou do Dnit. No final do ano que vem, a BR-163 estará finalizada”, afirmou Pivetta ao adversário.
A declaração fez parte de uma sequência de críticas entre os dois sobre experiência administrativa e trajetória política.
Pivetta também ironizou a presença recorrente de Wellington nas eleições. “Todas as eleições você participa. Para o senhor, a eleição é uma safra. Para mim é um sacrifício que eu tenho que fazer para honrar a população”, disse.
Wellington respondeu afirmando que não considera a atividade política um sacrifício. “Para mim, não. É sacerdócio, é servir ao cidadão”, declarou.
Wellington reafirma que renuncia se acusação for comprovada
O tema dos incentivos fiscais voltou ao debate quando Pivetta cobrou Wellington sobre uma declaração anterior em que o senador havia condicionado sua permanência na disputa à comprovação de que empresas dele ou de familiares teriam recebido determinados benefícios estaduais.
Wellington manteve o posicionamento.
“Eu reafirmo: quem encontrar, eu renuncio”, declarou.
A troca de acusações sobre benefícios fiscais a empresas vinculadas aos candidatos ou familiares esteve entre os temas mais explorados no debate.
Natasha questiona ferrovia e prioridade dada a Cuiabá
Natasha direcionou parte de seus questionamentos a Pivetta e cobrou explicações sobre o cronograma da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, especialmente em relação à chegada do projeto a Cuiabá.
“Você não gosta de Cuiabá?”, provocou a candidata, ao questionar por que a capital aparece em uma etapa posterior da implantação.
Pivetta respondeu citando investimentos estaduais em Cuiabá, entre eles o BRT, e afirmou que o contrato da ferrovia prevê a implantação do terminal na capital.
Segundo o governador, as obrigações contratuais garantem que a obra avance até Cuiabá.
Segurança e sistema prisional
A segurança pública também colocou os candidatos em confronto.
Questionada por Wellington sobre as medidas que adotaria para enfrentar a criminalidade, Natasha chamou atenção para a situação do sistema penitenciário. Durante o debate, afirmou que Mato Grosso possui déficit de vagas e declarou haver cerca de 18 mil presos para aproximadamente 13 mil vagas.
As condições do sistema prisional, políticas para mulheres, saúde e efetivo da segurança estiveram entre os temas discutidos ao longo dos quatro blocos.
Em determinado momento, Pivetta classificou Wellington e Natasha como representantes da “velha política”.
Natasha reagiu lembrando que Pivetta e Wellington estiveram no mesmo campo político na eleição de 2022, quando o grupo do então governador Mauro Mendes apoiou a reeleição do senador.
“É piada me chamarem de velha política. Esses dois estavam juntos há quatro anos, um pedindo voto para o outro”, afirmou.
Natasha questiona Pivetta sobre caso de violência doméstica
Outro momento de tensão ocorreu quando Natasha trouxe para o debate um episódio envolvendo acusação de violência doméstica contra Pivetta, que ganhou repercussão nacional em 2023.
Ao responder, Pivetta afirmou que foi absolvido no caso e, em seguida, mencionou a relação pessoal que, segundo ele, existia entre integrantes das duas famílias.

























