ECONOMIA

Falta de planejamento coloca futuro financeiro em risco e amplia dependência do INSS

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O futuro financeiro de grande parte da população está sob pressão e o alerta já aparece nos dados. Levantamento com base no ano de 2025 do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha, mostra que 60% das pessoas que ainda estão na ativa esperam depender do INSS para se manter na aposentadoria. O problema é que, na prática, essa dependência tende a ser ainda maior. Entre os aposentados, 93% têm na previdência pública sua principal fonte de renda.

O dado escancara um descompasso entre expectativa e realidade, e levanta um ponto crítico: a baixa preparação financeira para o longo prazo. Hoje, apenas 16% da população começou a construir uma reserva para a aposentadoria.

A combinação entre alta expectativa de dependência do INSS e baixo nível de planejamento financeiro à longo prazo indica um risco estrutural. Na prática, isso significa que milhões de pessoas podem enfrentar uma queda significativa de renda no futuro ou precisar adiar a aposentadoria.

“O grande desafio não é só depender do INSS, mas depender exclusivamente dele. Sem uma renda complementar, a tendência é que o padrão de vida caia de forma relevante”, explica Gilvania Rufino, líder da XP em Mato Grosso.

Além disso, o próprio comportamento ajuda a explicar o cenário. Como a aposentadoria ainda parece distante para muitos, o planejamento acaba sendo deixado para depois e o tempo, que poderia ser um aliado, vira um fator de pressão.

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Em Mato Grosso, o alerta ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população e do aumento da longevidade. Entre 2010 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais no estado passou de 240 mil para 469 mil, um crescimento de mais de 95%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante dessa realidade, especialistas alertam que o planejamento financeiro de longo prazo se torna cada vez mais importante para garantir autonomia, segurança e qualidade de vida na terceira idade, para além do INSS.

Falta de urgência compromete o futuro

O estudo mostra que a maioria ainda não incorporou o planejamento de longo prazo à rotina financeira. A priorização de demandas imediatas e a dificuldade de criar reservas fazem com que a aposentadoria seja tratada como um objetivo secundário.

“Existe uma sensação de que ainda dá tempo, mas quanto mais se adia o início, maior precisa ser o esforço lá na frente. Começar cedo faz toda a diferença”, reforça Gilvania Rufino. Mesmo com renda apertada, especialistas apontam que o planejamento pode e deve começar com pequenos passos. O primeiro deles é organizar as finanças e criar o hábito de investir com regularidade.

Na sequência, é importante buscar alternativas que ajudem a construir uma fonte complementar de renda para o futuro e tragam mais segurança financeira na aposentadoria. Além de investimentos em renda fixa, fundos e outros ativos alinhados ao perfil de cada investidor, a previdência privada aparece como uma das possibilidades para quem deseja planejar o longo prazo de forma mais estruturada.

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Entre as modalidades disponíveis, os planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) estão entre os mais conhecidos do mercado. O PGBL costuma ser indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda, já que permite dedução das contribuições dentro do limite previsto em lei. Já o VGBL tende a ser mais utilizado por quem declara no modelo simplificado ou busca uma alternativa voltada ao planejamento patrimonial e sucessório. “A aposentadoria não se constrói de uma vez só. É um processo. O mais importante é começar e manter consistência”, afirma.

O avanço da educação financeira no país ainda não se traduziu em preparação efetiva para o futuro. E, se o cenário atual se mantiver, a tendência é de aumento da dependência da previdência pública justamente em um contexto de maior pressão sobre o sistema.

Mais do que uma escolha, planejar o longo prazo passa a ser uma necessidade. Caso contrário, o futuro financeiro seguirá cada vez mais vulnerável.

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