OPERAÇÃO CENSO REAL

Mais de 1,8 mil pessoas vivem nas ruas de Cuiabá; censo começa a traçar perfil da população

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Basta caminhar pelas ruas de Cuiabá para encontrar pessoas vivendo em praças, calçadas e outros espaços públicos. A realidade da população em situação de rua na capital começou a ser mapeada nesta terça-feira (14), com o início da Operação Censo Real, iniciativa que busca traçar o perfil dessa população e subsidiar a criação de políticas públicas de acolhimento e assistência.

O trabalho ocorre em um cenário preocupante. Levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base na plataforma do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), aponta que Mato Grosso possui 4.357 pessoas em situação de rua. Desse total, 1.837 estão em Cuiabá, o equivalente a 42% dos registros no estado.

De acordo com o pesquisador da UFMG Cristiano Silva, a maior parte das pessoas chega às ruas após conflitos familiares. Questões relacionadas à saúde mental também estão entre os fatores que contribuem para essa situação. Depois disso, a vulnerabilidade tende a aumentar.

“A grande maioria chega à rua por conflitos familiares, muitas vezes associados a questões de saúde mental. Como a rua é um ambiente de violência constante, onde as pessoas passam fome e frio, muitas recorrem ao álcool como uma válvula de escape, o que pode levar ao uso de outras drogas”, explicou.

Entre quem tenta mudar essa realidade está Pedro Cardoso, de 40 anos. Morador de rua, ele conta que a dependência química foi decisiva para o rompimento dos laços familiares e para a vida nas ruas.

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“O vício e a bebida atrapalham a gente. Tiram a gente da família e acabam colocando a gente nessa situação. A gente tenta se levantar, volta para casa, mas acaba recaindo de novo”, relatou.

Pedro foi uma das pessoas atendidas durante a Operação Censo Real, que levou alimentação, atendimento médico e assistência social a moradores de rua em diferentes pontos da capital.

Outra atendida foi Solange Echeverria dos Santos, de 53 anos. Ela procurou a equipe por causa de uma forte dor de cabeça e contou que enfrenta dificuldades para abandonar a dependência química.

“Eu quero largar. Tenho meus netos, minha família não mexe com droga. Mas não tenho força. Meu corpo pede a droga”, contou.

Segundo a enfermeira Liliane Ferreira Souza, do programa Consultório na Rua, Solange enfrenta uma série de problemas de saúde que tornam o tratamento ainda mais desafiador.

“Ela sofre de depressão, faz uso de medicamentos e ainda enfrenta sequelas de um AVC. Tudo isso é agravado pelo consumo de drogas, que é uma luta constante”, explicou.

Diagnóstico das ruas para orientar políticas públicas

Além do atendimento imediato, a principal finalidade da Operação Censo Real é levantar informações detalhadas sobre quem vive nas ruas de Cuiabá. Durante dois dias, equipes percorrem diferentes regiões da cidade para identificar o número de pessoas, vínculos familiares, condições de saúde, documentação, uso de álcool e outras drogas e outras necessidades.

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Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Hélida Vivela, o município já possui um cadastro atualizado periodicamente, mas pretende intensificar esse acompanhamento para conhecer melhor a realidade dessa população.

“Nós temos um cadastro que é atualizado a cada seis meses, mas agora vamos intensificar essas ações e, provavelmente, fazer esse levantamento a cada quatro meses, para termos um número real e acompanhar essas pessoas, não só pelo Centro Pop, mas também em parceria com o Estado para desenvolver novas políticas públicas”, afirmou.

A ação é realizada em conjunto com o Governo de Mato Grosso. Para a secretária estadual de Segurança Pública, Suzane Tamanho, o levantamento permitirá não apenas ampliar o acolhimento, mas também encaminhar pessoas em situação de dependência química para tratamento.

“Geralmente, a população em situação de rua está vulnerável e também envolvida em atos delituosos. Estamos fazendo esse levantamento em locais como a Praça Ipiranga e o Morro da Luz para, depois, dar os devidos encaminhamentos em uma ação conjunta com a Prefeitura de Cuiabá”, destacou.

Ao final da Operação Censo Real, a expectativa é que o município tenha um diagnóstico mais preciso sobre a população em situação de rua, permitindo que as futuras políticas públicas sejam planejadas com base nas necessidades reais de quem vive nessa condição.

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