Aos 38 anos, Andrea Fregati vivia uma rotina sedentária, com baixa autoestima, pouca disposição e insatisfação com o próprio corpo. A dificuldade para encontrar roupas, a vergonha da barriga e a proximidade dos 40 anos acenderam um alerta sobre a própria saúde.
Onze anos depois, aos 49, ela transformou a relação com o corpo, a alimentação, a musculação e o envelhecimento. O que começou como uma busca por melhora estética se tornou um compromisso com disposição, autonomia e qualidade de vida.
“Hoje eu não dependo de motivação. Eu apenas faço”, resume.
Formada em Enfermagem e Direito, e atualmente graduanda em Nutrição, Andréa passou a enxergar o cuidado com o corpo de forma mais ampla. Para ela, envelhecer bem não significa apenas viver mais, mas chegar às próximas décadas com força, independência e saúde.
A mudança começou pela atividade física, mas ganhou consistência quando passou a ser acompanhada por escolhas alimentares mais equilibradas e por uma rotina que ela decidiu manter mesmo nos dias em que não havia vontade.
Com o tempo, percebeu que os resultados alcançados ultrapassaram a boa forma física em frente ao espelho. Ela relata melhora na disposição, na autoestima, no controle da ansiedade e na forma como passou a encarar o próprio envelhecimento.
“Eu queria chegar aos 40 melhor. Hoje, aos 49, vejo que nunca é tarde para começar. Se a pessoa começa aos 49, aos 59 será outra pessoa se repetir uma rotina saudável”, afirma.
O profissional de educação física Édson da Silva Vales, pós-graduado em Fisiologia do Exercício e Nutrição Esportiva, reforça que a atividade física tem papel direto no envelhecimento saudável.
Segundo ele, manter uma rotina de exercícios ajuda a preservar massa muscular, fortalecer ossos, proteger o coração e garantir mais independência ao longo dos anos.
“Atividade física para qualquer pessoa, inclusive mulheres, ajuda a regular e estimular a produção de hormônios, protege a massa muscular e garante a independência e vitalidade para o futuro. Contribui para a saúde do coração, fortalecimento de ossos e músculos e vários outros benefícios”, explica.
Para mulheres acima dos 35 anos, o exercício físico passa a ter uma função ainda mais importante. Nessa fase, o corpo começa a apresentar mudanças naturais que podem envolver alterações hormonais, perda gradual de massa muscular e maior dificuldade para manter disposição e composição corporal.
Por isso, atividades de força, como a musculação, são apontadas como aliadas na prevenção da perda muscular, no fortalecimento dos músculos de sustentação e na manutenção da autonomia.
Édson destaca que muitos dos ganhos mais importantes não estão ligados apenas à aparência.
“Um dos benefícios é a saúde mental, melhora o sistema cardiovascular, sistema imune, prevenção direta contra osteoporose, fortalecimento dos músculos de sustentação, metabolismo e longevidade, autonomia garantida para a velhice”, afirma.
A alimentação também entra como parte essencial desse processo. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, a base de uma rotina saudável deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, ovos, carnes, leite e derivados, além de reduzir o consumo de ultraprocessados.
Na prática, envelhecer bem não depende de dietas radicais, mas de constância. Uma alimentação equilibrada, associada à atividade física, contribui para a manutenção da massa muscular, melhora da disposição, controle do peso e prevenção de doenças crônicas.
Para quem treina e busca mais força ao longo dos anos, a ingestão adequada de proteínas também é importante. Elas podem estar presentes em alimentos como ovos, carnes, leite, queijos, iogurtes, feijões, lentilha e grão-de-bico.
Andréa conta que reduzir exageros, especialmente em alimentos muito calóricos e bebida alcoólica, também fez diferença na disposição e nos resultados. Segundo ela, a mudança não aconteceu de uma vez, mas pela repetição de escolhas mais saudáveis ao longo do tempo.
Além da mudança pessoal, Andréa passou a usar a própria experiência para incentivar outras mulheres a transformarem a qualidade de vida. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina de treinos, corrida, alimentação saudável e escolhas que fazem parte do seu dia a dia.
Foi desse processo que nasceu o perfil Não Engorda Mesmo, criado para reunir dicas, bastidores da rotina saudável e conteúdos voltados a mulheres que também desejam mudar hábitos. O projeto também abriu espaço para a produção de pães e bolos fit artesanais, feitos por ela para venda.
De acordo com Andréa, compartilhar a rotina é uma forma de mostrar que a transformação não precisa começar de maneira perfeita, mas precisa começar. A ideia é inspirar outras mulheres a cuidarem do corpo e da saúde com mais constância, leveza e consciência.
Para Édson, quem deseja chegar aos 50, 60 anos ou mais com qualidade de vida precisa olhar para a saúde de forma completa.
“Praticar exercícios físicos regularmente, ter uma alimentação saudável, manter relações sociais saudáveis para o bem-estar emocional e a saúde mental, dormir bem, manter os seus exames de saúde em dia, pois contribui muito para o bem-estar da sua saúde como um todo”, orienta.
No caso de Andréa, a estética foi o seu ponto de partida, mas, com o tempo, o verdadeiro resultado apareceu na rotina, na disposição e na liberdade de viver melhor.
“Você nunca se arrepende de ir treinar. Nunca é tarde para mudar”, afirma.



























