Olhos vermelhos, coceira, ardência, lacrimejamento e sensação de “areia nos olhos” podem aparecer com mais frequência durante os períodos de baixa umidade do ar. Em Cuiabá, onde a seca costuma vir acompanhada de altas temperaturas, a combinação pode exigir atenção redobrada dos pais com a saúde ocular das crianças.
A baixa umidade favorece a evaporação da lágrima, deixando a superfície dos olhos mais exposta e podendo provocar ressecamento e irritação. Como as crianças, especialmente as menores, nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo, a observação dos pais é importante.
Segundo a oftalmopediatra e especialista em estrabismo adulto e infantil, Dra. Giovanna Marchezine, alguns comportamentos podem indicar que existe desconforto ocular.
“A criança pode não chegar para os pais e dizer que está com ressecamento ocular. Por isso, comportamentos como piscar excessivamente, esfregar os olhos ou reclamar de ardência precisam ser observados, principalmente quando passam a acontecer com frequência.”
Telas também podem aumentar o desconforto
Além das condições climáticas, o uso prolongado de celulares, tablets, computadores e televisão pode contribuir para o ressecamento ocular. Durante atividades que exigem concentração, a criança tende a piscar menos, favorecendo a evaporação da lágrima.
“Quando a criança está concentrada em uma tela, ela tende a piscar menos. Isso faz com que a superfície ocular fique mais exposta e a lágrima evapore com maior facilidade. Por isso, é importante fazer pausas durante o uso dos dispositivos e estimular a criança a piscar”, explica Giovanna.
A recomendação é evitar longos períodos ininterruptos diante das telas e estabelecer pausas ao longo do dia.
Hidratação é importante, mas não substitui avaliação
Manter a criança hidratada é fundamental, principalmente nos dias de calor e baixa umidade. No entanto, a ingestão de água não deve ser considerada suficiente quando os sintomas oculares são persistentes.
“A hidratação é importante para o funcionamento adequado do organismo, mas não substitui uma avaliação oftalmológica quando existe um quadro persistente de ressecamento ou outro sintoma ocular”, afirma a especialista.
Outro cuidado é evitar o uso de colírios por conta própria. Lágrimas artificiais e lubrificantes podem ser indicados em algumas situações, mas a escolha deve ser feita de acordo com a necessidade de cada criança.
“O soro fisiológico não deve ser confundido automaticamente com uma lágrima artificial. Quando existe ressecamento ou irritação persistente, precisamos entender a causa antes de definir qual é o melhor cuidado.”
Quando procurar um oftalmopediatra?
A avaliação com um oftalmopediatra é recomendada quando os sintomas persistirem, piorarem ou vierem acompanhados de sinais como:
* vermelhidão persistente;
* dor ou ardência;
* lacrimejamento excessivo;
* sensibilidade à luz;
* visão embaçada;
* dificuldade para enxergar;
* piscar ou esfregar os olhos com frequência.
Crianças que usam óculos ou fazem acompanhamento por miopia, hipermetropia, astigmatismo ou estrabismo também devem manter as consultas de rotina. Qualquer mudança no padrão habitual merece atenção e deve ser avaliada por um especialista.
Cuidados simples ajudam na prevenção
Durante os períodos de seca, alguns hábitos podem ajudar a reduzir o desconforto: manter a criança hidratada, evitar vento diretamente nos olhos, observar ambientes com ar-condicionado, fazer pausas durante o uso de telas e manter o acompanhamento oftalmológico em dia.
“O mais importante é criar uma rotina de cuidados. Pequenas queixas não devem ser ignoradas. Se o sintoma persistir, vale procurar uma avaliação oftalmológica”, orienta Giovanna.
Em uma época marcada por calor, baixa umidade e maior exposição às telas, observar os pequenos sinais do dia a dia pode ajudar os pais a identificar precocemente alterações na saúde ocular das crianças.




























