PROPAGANDA EM GRUPO DO CRAS

MPF investiga campanha da primeira-dama de Rondonópolis em grupo do Cras

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Em meio a uma ação que pede o afastamento do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), por suposto uso da máquina pública, o Ministério Público Federal (MPF) abriu outra frente de apuração envolvendo a candidatura da primeira-dama Alessandra Ferreira (Podemos) à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

O procedimento investiga a divulgação de um convite para o lançamento da campanha de Alessandra em um grupo oficial de WhatsApp do Cras Alfredo de Castro. O canal era utilizado para transmitir informações a beneficiários de programas sociais do município.

A apuração consta em portaria publicada nesta segunda-feira (21.09) no Diário Eletrônico do MPF. Segundo o documento, o material eleitoral foi compartilhado às 19h25 do dia 26 de agosto no grupo “Cras Alfredo de Castro 1 – Informações Gerais 2026”.

A Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social (Sempras) confirmou ao Ministério Público que o grupo era um canal funcional mantido pela unidade pública para comunicação direta com os cidadãos atendidos pela rede de assistência social.

Na avaliação inicial do Ministério Público Eleitoral, o uso de telefones, cadastros ou canais institucionais destinados ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade para divulgar propaganda eleitoral pode representar uso indevido da estrutura pública e favorecimento de candidatura.

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O documento destaca que Alessandra, além de esposa do prefeito, comandou recentemente a Sempras. Ela deixou o cargo em 1º de abril para disputar as eleições, mantendo, segundo o MPF, um vínculo político e administrativo recente com os servidores e com a estrutura responsável pelo grupo.

Embora a divulgação do convite tenha sido confirmada, o Ministério Público ainda busca identificar quem enviou o material, quais servidores administravam o grupo e se houve conhecimento ou participação de Alessandra e de integrantes de sua campanha.

Para esclarecer o caso, o MPF determinou que a Sempras encaminhe a relação completa dos servidores e funcionários que trabalhavam no Cras Alfredo de Castro em agosto, com nomes, cargos, matrículas e CPFs.

A pasta também terá de identificar quem possuía acesso de administrador ao grupo no dia da divulgação. Outra medida é verificar se existe um servidor identificado como “Rafael”, supostamente vinculado ao telefone utilizado no envio da propaganda.

Alessandra será notificada para apresentar esclarecimentos no prazo de cinco dias. A abertura do procedimento não representa condenação, mas permite ao Ministério Público reunir informações antes de decidir se apresentará uma ação à Justiça Eleitoral.

O MPF também acompanha uma representação eleitoral que tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Nesse processo, foi solicitada a identificação cadastral do responsável pela linha telefônica usada no compartilhamento da mensagem.

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Cópias da apuração serão encaminhadas ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT). A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Rondonópolis deverá avaliar se os fatos também podem configurar irregularidade administrativa ou infração disciplinar praticada por servidores.

O episódio do Cras não é a única acusação de suposto uso da estrutura municipal em favor de Alessandra. O Agir pediu ao TRE-MT o afastamento de Cláudio Ferreira por 90 dias e acusou o prefeito de favorecer a candidatura da esposa.

Nessa ação, o partido cita a Exposul, a Copa Integração, a distribuição de picolés durante o desfile de 7 de Setembro, o Caveiras Moto Festival e a divulgação de obras públicas. A legenda também pede que Alessandra seja impedida de vincular sua imagem às ações da Prefeitura e requer a cassação do registro ou de eventual diploma da candidata, além da inelegibilidade dos investigados, caso as acusações sejam comprovadas.

Outro lado

 A candidata foi questionada se tinha conhecimento ou autorizou o compartilhamento da propaganda, se sua equipe mantinha contato com os administradores do grupo e quais esclarecimentos apresentará ao MPF. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

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