O candidato ao Senado Pedro Taques (PSB) defende a criação de uma espécie de “malha fina” para políticos, com fiscalização mais rigorosa da Receita Federal sobre a evolução patrimonial de quem exerce mandato. A proposta integra as medidas apresentadas pelo candidato para prevenção e combate à corrupção.
A ideia é permitir um acompanhamento mais rigoroso da compatibilidade entre os rendimentos declarados e o crescimento do patrimônio durante a vida pública. Para o ex-governador e ex-senador, o exercício de mandato não pode servir como instrumento de enriquecimento.
“Nós precisamos fazer com que os políticos tenham uma Receita Federal mais em cima, uma malha mais fina, para que não possam entrar na política e ficar ricos. Você já viu: o político entra quebrado e sai rico. Dobra o capital, dobra o patrimônio. Os políticos precisam passar por um pente fino”, afirmou.
A evolução patrimonial de quem exerce mandato ganha dimensão nos dados declarados à Justiça Eleitoral. Entre 202 deputados federais analisados que disputam a reeleição em 2026, 152 declararam patrimônio maior do que há quatro anos. Desses, 57 registraram crescimento superior a R$ 1 milhão e, no maior caso, o acréscimo chegou a R$ 33,6 milhões. Os valores de 2022 foram corrigidos pela inflação para permitir a comparação.
O crescimento do patrimônio, isoladamente, não significa irregularidade. É justamente sobre a origem e a compatibilidade dessa evolução com os rendimentos declarados que incide a proposta apresentada pelo candidato.
Taques afirmou que a política não deve ser instrumento de enriquecimento pessoal e citou a própria trajetória para sustentar a proposta. Segundo ele, deixou cargos públicos com patrimônio menor do que quando ingressou e, por não ter vínculos com práticas que considera inadequadas, terá independência para defender mudanças no Senado.
“Tem gente que diz que eu sou besta porque não roubei. Eu penso exatamente o contrário. É justamente porque não tenho rabo preso que posso chegar ao Senado com coragem para fazer as mudanças que precisam ser feitas, inclusive na relação do Senado com o Supremo Tribunal Federal”, frisou.
Ele falou sobre a proposta na quarta-feira (23), durante rodada de entrevistas com candidatos promovida pela Record News Mato Grosso, canal 7.1 de Cuiabá. Ele defendeu ainda que o eleitor acompanhe as declarações de bens, disponíveis para consulta pública no DivulgaCandContas (https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/home) do TSE.
De olho nos suplentes
O candidato também defendeu que o eleitor conheça os suplentes que integram as chapas ao Senado. Ao votar em um candidato, são eleitos com ele o primeiro e o segundo suplentes. O primeiro pode assumir temporariamente o mandato quando o titular se licencia por mais de 120 dias ou se afasta para exercer determinados cargos públicos.
O primeiro suplente também pode assumir definitivamente a cadeira em caso de morte, renúncia ou perda do mandato do senador. O segundo é chamado quando o primeiro não pode assumir. Para Taques, essas possibilidades reforçam a importância de o eleitor conhecer toda a composição da chapa. “Você precisa mostrar a vida do senador, a vida dos suplentes, para saber em quem você vai votar”, alertou.
Na chapa dele, o primeiro suplente é Carlos Ernesto Augustin, o Teti (PSB), engenheiro agrônomo e empresário. Fundador da Aprosoja-MT e do Instituto Pensar Agro (IPA), presidiu a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e o Conselho de Administração da Embrapa. Também atuou como assessor especial do Ministério da Agricultura.
A segunda suplente é Guelda Andrade (PT), educadora, mestra em Política Educacional e especialista em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Servidora da educação pública, é dirigente nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e tem trajetória ligada à defesa da educação pública e à valorização dos profissionais da área.

























