PARA AUTISTAS

TCE alerta para risco de fechamento do CAMPI em Várzea Grande

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O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou para o risco de fechamento do CAMPI (Centro de Atividades Multidisciplinar de Apoio Pedagógico Inclusivo), em Várzea Grande, diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela unidade, responsável pelo atendimento especializado de centenas de crianças da rede municipal.

O alerta ocorre após o CAMPI suspender os atendimentos na última sexta-feira (11) em razão de atrasos nos repasses da Prefeitura de Várzea Grande. O município reconheceu que os pagamentos não haviam sido regularizados dentro do prazo e atribuiu o problema à situação financeira da administração. Os serviços foram retomados na segunda-feira (14).

Atualmente, o CAMPI atende 348 alunos da rede municipal e conta com equipe multiprofissional formada por neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional.

Segundo Sérgio Ricardo, a situação exige atenção do poder público para evitar que os problemas financeiros comprometam definitivamente os serviços prestados às crianças e suas famílias.

O contrato com a Prefeitura de Várzea Grande prevê atendimento multidisciplinar para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiências múltiplas, TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento.

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A situação do CAMPI integra uma auditoria mais ampla realizada pelo TCE sobre o atendimento a crianças autistas e neurodivergentes em Mato Grosso. Os dados preliminares revelam problemas na continuidade dos tratamentos e dificuldades enfrentadas pelas famílias para conseguir assistência.

Tratamento interrompido

O levantamento, conduzido pela Comissão de Políticas Públicas do TCE, ouviu quase 200 famílias em Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Rondonópolis e Cáceres.

Segundo a auditoria, 90,3% das famílias entrevistadas afirmaram já ter enfrentado interrupção no tratamento. Cerca de metade das que passaram pelo problema precisou recorrer à Justiça para tentar garantir a continuidade do atendimento.

Outro gargalo é o transporte. O levantamento aponta que 80% das famílias já deixaram de levar os filhos ao tratamento por falta de dinheiro para o deslocamento, enquanto 71% disseram que a distância até os locais de atendimento prejudica o acompanhamento.

A auditoria também identificou preocupação com o futuro das crianças. Entre os entrevistados, 97,2% disseram não saber onde os filhos serão atendidos depois dos 14 anos.

Em Várzea Grande, o TCE ainda identificou divergência nos números relacionados às crianças com autismo. Dados do Ministério da Educação apontavam 1.211 crianças no município, enquanto levantamento mais recente da Prefeitura indica aproximadamente 2,3 mil.

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Judicialização

A falta de atendimento adequado também aumenta a judicialização e gera impacto aos cofres públicos. Segundo os dados apresentados pelo presidente do TCE, somente em Rondonópolis as ações judiciais envolvendo tratamentos de pessoas com autismo representam custo anual estimado entre R$ 16 milhões e R$ 18 milhões.

Em Mato Grosso, demandas judiciais relacionadas à reabilitação infantil movimentaram cerca de R$ 32 milhões entre 2024 e 2025.

A auditoria do TCE ainda está em andamento e pretende mapear a estrutura disponível nos municípios, identificar falhas na prestação dos serviços e cobrar medidas para assegurar a continuidade do atendimento às crianças e às famílias.

Assim, Várzea Grande vira o fato principal, e o dado de 90,3% de interrupção dos tratamentos entra depois para mostrar que o problema do CAMPI está inserido em um quadro estadual mais amplo.

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