DOMÍNIO DO CRIME

Fantástico revela atuação de facção em garimpo ilegal de MT

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Uma reportagem exibida no último domingo (28) pelo programa Fantástico, da Rede Globo, revelou que uma facção criminosa passou a controlar um dos principais pontos de garimpo ilegal de Mato Grosso, localizado na Terra Indígena Sararé.

Segundo informações da Polícia Federal, o grupo criminoso inicialmente atuava como segurança armada dos garimpeiros, mas, com o passar do tempo, ampliou o domínio sobre a atividade ilegal na região.

Os detalhes da atuação da facção e das ações policiais foram exibidos na reportagem, que acompanhou operações realizadas na terra indígena.

Nos últimos 90 dias, a Polícia Federal prendeu 72 pessoas durante a ofensiva contra o garimpo ilegal.

De acordo com a PF, a megaoperação causou um prejuízo superior a R$ 100 milhões aos criminosos, com a apreensão e inutilização de 3,8 toneladas de explosivos, a destruição de 199 acampamentos, 829 motores de garimpo, 34 escavadeiras hidráulicas e diversos outros equipamentos utilizados na atividade ilegal.

A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. O território possui uma extensão de 67 mil hectares, dos quais cerca de 4,2 mil hectares foram impactados pela atividade de garimpo ilegal.

Confira a reportagem na íntegra:

Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena e transforma ouro em moeda do crime, diz PF

O Garimpo Cururu, um dos principais pontos de extração ilegal de ouro na terra indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso, passou a ser controlado pelo Comando Vermelho (CV), de acordo com investigações da Polícia Federal.

A facção, que inicialmente atuava como segurança armada dos garimpeiros, ampliou sua presença e dominou áreas de mineração ilegal, usando o ouro para financiar outras atividades criminosas.

Uma megaoperação coordenada pela Casa Civil, do governo federal, combate desde março os crimes na região. Vários órgãos federais enviaram equipes que trabalham em conjunto.

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O Fantástico acompanhou o trabalho de forças de segurança dentro do território. Desde o início da operação, é a primeira vez que uma equipe de reportagem se aproxima para entender o poderio de garimpeiros e do tráfico no local.

A Terra Indígena Sararé pertence ao povo Nambikwara desde 1985, quando aconteceu a demarcação. A região ocupa áreas de três cidades e soma 67 mil hectares, com 1.117 pontos de garimpo. Até poucos meses atrás, mais de 2 mil pessoas estavam dentro do território extraindo o ouro.

A exploração ilegal na região era tão agressiva e envolvia tantas pessoas que, segundo a inteligência da operação, um dos locais passou a ser chamado de “vila”.

“Aqui a gente tinha bar, tinha comércio, tinha farmácia. Você tinha toda uma estrutura de um vilarejo”, disse o coordenador da operação pela Casa Civil, Nilton Tubino.

O território também tem túneis escavados para apoiar a exploração do ouro e usados pelo Comando Vermelho para esconder armas e munições, segundo a polícia.

As investigações indicam que o Comando Vermelho começou a atuar na região em 2023, oferecendo proteção armada para garimpeiros. Aos poucos, a facção tomou o controle da região.

“Eles utilizam ouro como moeda de troca, para encaminhar o ouro a países vizinhos e receber de volta um entorpecente ou armamento”, disse Rodrigo Vitorino, delegado da Polícia Federal.

Imagens reunidas por investigadores mostram as tentativas de intimidação dos criminosos. Segundo a Polícia Federal, vídeos mostram traficantes aparecem exibindo armamento e escoltando um trator para abrir caminho na terra indígena.

A operação apreendeu mais de 42 mil litros de óleo diesel e 153 kg de ouro, além de destruir 33 túneis, quase 4 toneladas de explosivos, 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 máquinas de escavação.

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A investigação também prendeu 72 pessoas e estima que o prejuízo para o garimpo ilegal passa de R$ 110 milhões.

Na última quinta-feira (25), a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão contra um homem acusado de vender máquinas e fuzis para os traficantes.

“O armamento de grosso calibre adentrou a terra indígena a partir da presença dos faccionados. Os criminosos se utilizam de esconderijos para esconder o armamento e fugir pela mata a fim de se esvair da atuação policial”, disse o delegado Rodrigo, da PF.

Impactos para o meio ambiente

Além da violência, a presença de traficantes afeta a preservação do meio ambiente, numa área que há décadas está desprotegida.

No chamado Garimpo do 4, a retirada de terra atingiu o lençol freático. O Rio Sararé também apresenta sinais de poluição provocada pela atividade.

O uso de mercúrio e cianeto deixa consequências que podem durar séculos. “Pode demorar centenas de anos para que a área volte a se recuperar e permita o retorno de parte da flora e da fauna”, disse Sérgio Suzuki, agente do Ibama.

“Arrebentou toda a natureza, acabou. Ficou muito difícil para a gente sobreviver”, disse um indígena que não quis mostrar o rosto por motivos de segurança.

O governo do Mato Grosso disse que está construindo, em um dos acessos da Terra Indígena Sararé, uma base policial de apoio e integração entre as forças estaduais e federais. E afirmou que está à disposição para atuar em parceria com o governo federal.

Os Nambikwara buscam retomar o que tinham no passado: paz, liberdade e respeito ao território que, para eles, é sagrado.

Leia a reportagem completa AQUI

 

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