Jânio Corrêa

Gestão de frotas: por que os valores são altos?

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Quando uma licitação para gestão de frotas envolve milhões de reais, o número chama atenção da mídia. Se o município é pequeno, a comparação parece ainda mais impactante. Mas analisar esse valor isoladamente, ou dividi-lo pelo número de habitantes, pode produzir uma percepção completamente diferente da realidade da operação.

Imagine um município fictício com 30 mil habitantes. A população é pequena, mas a prefeitura pode precisar manter ambulâncias, ônibus escolares, caminhões, máquinas pesadas, veículos administrativos e outros equipamentos atendendo diariamente saúde, educação, obras, assistência social e demais serviços públicos. E frota custa.

Não se trata apenas de combustível. A operação envolve manutenção preventiva e corretiva, peças, pneus, lubrificantes, serviços mecânicos e uma série de outras demandas necessárias para manter veículos e máquinas disponíveis. O próprio material técnico utilizado como referência aponta que o custo deve ser analisado considerando fatores como quantidade e perfil dos veículos, quilometragem percorrida, características das operações das secretarias e preços de combustíveis e insumos de manutenção.

Uma cidade pequena, por exemplo, pode ter extensa área rural, ônibus escolares percorrendo longas distâncias diariamente e máquinas pesadas trabalhando na manutenção de estradas. Portanto, população pequena não significa, necessariamente, frota pequena ou operação barata.

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Há ainda um segundo ponto fundamental, valor licitado não é sinônimo de valor gasto. No Sistema de Registro de Preços, o montante registrado representa uma estimativa máxima de demanda. A Administração não é obrigada a consumir todo o quantitativo nem a utilizar integralmente o valor previsto. A execução ocorre conforme as necessidades efetivamente apresentadas ao longo da vigência.

Assim, se nossa cidade fictícia possui uma ata de até R$ 10 milhões, isso não significa que os R$ 10 milhões serão desembolsados. O gasto efetivo poderá ser menor e dependerá dos abastecimentos, manutenções e demais serviços realmente realizados. O documento de referência é claro ao diferenciar o teto estimado do desembolso efetivo.

É justamente nesse cenário que soluções como o Gestão Total de Frotas (GTF) ganham relevância, por exemplo. A tecnologia aplicada à gestão de frotas permite ampliar o controle e a rastreabilidade das operações, acompanhando consumo e manutenção e gerando informações para uma administração mais eficiente. O modelo informatizado é apontado no material como instrumento para rastreabilidade de consumo e controle das manutenções preventiva e corretiva.

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Por isso, antes de classificar uma contratação como alta apenas pelo seu valor global, é necessário responder a perguntas mais importantes: qual é o tamanho e o perfil da frota? Quantos quilômetros ela percorre? Quantas máquinas pesadas estão incluídas? Quais serviços estão contemplados? E, principalmente, quanto desse valor foi efetivamente executado?

Na gestão pública, transparência também exige contexto. Um número sozinho pode impressionar. Entender o que ele representa é o que permite avaliar, de fato, uma gestão de frotas.

Jânio Corrêa, CEO da Centro América Tecnologia (CAT)

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