EMPREENDEDORISMO

Brasil tem 19 milhões de nanoempreendedores; novas regras simplificam atividade de quem começa a empreender

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Costureiras, diaristas, pequenos agricultores, pipoqueiros, consultores de vendas diretas e outros trabalhadores que exercem atividades econômicas em pequena escala fazem parte de um universo de cerca de 19 milhões de brasileiros que a Reforma Tributária reconheceu como não contribuintes do IBS e da CBS quando faturarem até o limite de R$ 40.500,00 no ano, isentando-os do pagamento desses tributos.

São pessoas físicas que encontram nessas atividades uma oportunidade de dar os primeiros passos no empreendedorismo, gerando ou complementando a renda. E otamanho desse universo mostra a relevância desse tipo de atividade.

Visando regulamentar a atividade, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS exigirão, a partir de 2029, que essas pessoas se inscrevam no CNPJ e emitam notas fiscais. Diversos setores da economia, no entanto, seguem em diálogo com esses órgãos defendendo que a fiscalização dos nanoempreendedores já é viável a partir das notas fiscais emitidas por fornecedores nas operações anteriores da cadeia — que reúnem, por meio do CPF, as informações necessárias para um controle automatizado —, dispensando novas obrigações que onerariam a gestão desses pequenos negócios.

Para a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), a simplificação amparada pela LC 214 é fundamental, por dar um caminho claro para esse público de milhões de pessoas com um perfil socioeconômico vulnerável e contribui para criar condições mais adequadas para quem começa a empreender, levando a uma inclusão produtiva.

Leia Também:  Engenharia de Controle e Automação está entre um dos melhores salários de profissões de nível superior em Mato GrossoPouco conhecida fora do ambiente industrial, a Engenharia de Controle e Automação ocupa hoje o topo do ranking das profissões de nível superior com maior remuneração média no setor privado do estado. Segundo um levantamento do Observatório da Indústria de Mato Grosso os profissionais da área recebem, em média, R$ 12.313,43, superando carreiras tradicionais como Engenharia de Produção e Engenharia Agronômica. O dado chama atenção por outro motivo: atualmente, apenas 29 profissionais ocupam essa função na iniciativa privada mato-grossense. Para especialistas, essa combinação entre alta especialização e oferta reduzida de mão de obra ajuda a explicar a valorização da carreira, cada vez mais estratégica para empresas que investem em automação, integração de processos e modernização de suas operações. Na sequência do ranking aparecem Engenheiro de Produção, com média salarial de R$ 10.408,79, Engenheiro Agrônomo (R$ 10.035,78) e Analista de Desenvolvimento de Sistemas (R$ 8.404,85), reforçando o protagonismo de profissões ligadas à engenharia e à tecnologia na transformação do setor produtivo. A engenharia que conecta máquinas, sistemas e inteligência Embora o nome ainda seja pouco familiar para muitas pessoas, a Engenharia de Controle e Automação está presente em praticamente todas as indústrias que utilizam processos automatizados. É esse profissional quem projeta, integra e gerencia sistemas capazes de controlar equipamentos, linhas de produção, robôs, sensores e softwares, tornando as operações mais eficientes, seguras e produtivas. A crescente digitalização da indústria tem ampliado a importância dessa atuação. Setores como agroindústria, mineração, alimentos, construção civil, energia e logística incorporam, cada vez mais, tecnologias para monitorar processos em tempo real, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade, criando um ambiente favorável para profissionais capazes de unir conhecimentos de engenharia, eletrônica, computação e programação. Para a diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Mato Grosso (Senai MT), Fernanda Campos, a valorização da profissão acompanha uma mudança estrutural vivida pelo setor industrial. “Os processos industriais estão cada vez mais automatizados e integrados digitalmente. Isso faz com que profissionais especializados em controle e automação assumam um papel estratégico dentro das empresas, desenvolvendo soluções que aumentam a eficiência, a confiabilidade e a competitividade das operações industriais”, avalia. Mercado exige profissionais com formação multidisciplinar Diferentemente de engenharias voltadas a um único segmento, a Engenharia de Controle e Automação reúne conhecimentos de mecânica, eletrônica, elétrica, computação e programação para solucionar desafios complexos da indústria. Essa formação multidisciplinar permite que o profissional atue desde o desenvolvimento de sistemas automatizados até a gestão de processos industriais baseados em tecnologias inteligentes. A crescente procura por esse perfil também começa a influenciar a oferta de ensino superior em Mato Grosso. Atento às transformações do setor produtivo, o Centro Universitário do Senai Mato Grosso (UniSenai MT) passou a oferecer recentemente a graduação em Engenharia de Controle e Automação, ampliando a formação de profissionais voltados às novas demandas da indústria. Segundo a pró-reitora do UniSenai MT, Ana Cristina Caldart, o reconhecimento da carreira acompanha uma mudança no perfil das competências exigidas pelo mercado. “A Engenharia de Controle e Automação forma profissionais preparados para integrar diferentes tecnologias e desenvolver soluções aplicadas aos desafios da indústria. É uma formação que combina conhecimento técnico, inovação e visão sistêmica, características cada vez mais valorizadas pelas empresas diante do avanço da digitalização dos processos produtivos”, ressalta. Os dados do Observatório da Indústria de Mato Grosso mostram que a valorização da Engenharia de Controle e Automação vai além da remuneração. O desempenho da carreira sinaliza uma tendência de transformação do mercado de trabalho, impulsionada pela incorporação de tecnologias avançadas nos processos industriais e pela busca crescente por profissionais capazes de liderar essa evolução dentro das empresas.

“Estamos falando de milhões de brasileiros que iniciam uma atividade em uma escala muito pequena. Muitas vezes, é uma forma de complementar a renda familiar, experimentar uma atividade ou dar o primeiro passo no empreendedorismo. Ter regras simples e proporcionais a essa realidade, mantendo-a sem burocracia, é fundamental para que essas pessoas possam se desenvolver e crescer”, afirma Adriana Colloca, presidente da ABEVD.

O estudo “Nanoempreendedores no Brasil – Dimensionamento e Perfil Socioeconômico”, conduzido pelo professor Fernando Blumenschein, PhD e mestre em Economia pela Universidade de Cornell, a pedido da Natura, membro da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), recentemente revelou que, entre aqueles sem CNPJ, a renda média líquida é de R$ 1.480 por mês, sendo que um a cada três não concluiu o Ensino Fundamental. Os dados ajudam a dimensionar esse universo e reforçam a importância de regras compatíveis com as características econômicas e sociais desse público.

Na avaliação da ABEVD, o reconhecimento do nanoempreendedor na lei cria uma porta de entrada acessível para quem começa a empreender, representando o início de uma trajetória de desenvolvimento. Conforme crescem e se desenvolvem na atividade, podem subir à outras formas de empreendedorismo.

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“O nanoempreendedor é o primeiro degrau da vida de um empreendedor, o início de uma trajetória que, com o crescimento e o desenvolvimento da atividade, levará ao MEI e a outros níveis de estrutura empresarial”, explica Adriana. Ela acrescenta que esse caminho é especialmente relevante para mulheres em situações, muitas vezes, de vulnerabilidade que encontram no empreendedorismo uma alternativa para gerar renda e ampliar sua autonomia financeira.

Com o reconhecimento do nanoempreendedor pela reforma tributária e os avanços recentes em sua regulamentação, o tema deverá permanecer em discussão nos próximos anos, fortalecendo o debate de políticas públicas específicas para esse grupo. Para a ABEVD, é importante preservar um tratamento proporcional às características desses indivíduos e a simplicidade como instrumento de inclusão econômica.

“Um passo enorme foi conquistado, o nanoempreendedor foi reconhecido. Nosso país conseguiu instalar pelas vias legais um caminho ascendente para que milhões de brasileiros possam ter a oportunidade de empreender, dentro da legalidade, podendo prosperar, se desenvolver e gerar renda”, conclui Adriana.

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