Apontado pelas investigações como uma das principais lideranças de facção em Mato Grosso, João Batista Vieira dos Santos, conhecido como Virgulino, chegou a Cuiabá cercado por um forte esquema de segurança nessa quarta-feira (30). Vídeos da transferência mostram o investigado algemado e com os olhos cobertos, escoltado por agentes durante o deslocamento.
Ele foi trazido para Mato Grosso após permanecer sob custódia em Foz do Iguaçu (PR). A operação de transferência mobilizou equipes ligadas ao combate ao crime organizado e contou com apoio aéreo.
Virgulino havia sido localizado no Paraguai no início de setembro, depois de um período foragido. A captura contou com atuação integrada das forças de segurança brasileiras e paraguaias, além de apoio de agentes norte-americanos. Ele possuía ordens judiciais de prisão expedidas em Mato Grosso.
Ao ser abordado no país vizinho, o investigado tentou ocultar a verdadeira identidade apresentando documentação falsa. Conforme as investigações, mais de R$ 10 mil teriam sido gastos na produção dos documentos utilizados por ele. O uso de identidade falsa não era inédito: anos antes, ele já havia sido encontrado com documento adulterado durante outra abordagem policial.
A tentativa de dificultar sua identificação teria ido além dos documentos. Segundo a apuração policial, Virgulino também passou por intervenções estéticas que alteraram aspectos de sua aparência enquanto permanecia escondido.
A transferência para Cuiabá ocorre ainda em meio a procedimentos relacionados à avaliação da saúde mental do investigado. Elementos reunidos durante as investigações indicam, porém, que mesmo longe de Mato Grosso ele continuaria mantendo contato com integrantes do grupo criminoso e participando de decisões relacionadas às atividades da organização.
Entre os casos investigados está o esquema conhecido como Raspa Brasil, envolvendo a exploração clandestina de raspadinhas. A Polícia Civil atribui a Virgulino participação na organização financeira da atividade, no acompanhamento da arrecadação e na expansão do negócio ilícito pelo Estado.
O nome dele também apareceu em outras investigações de grande repercussão. Uma delas apurou a construção, em Cuiabá, de uma passagem subterrânea de centenas de metros que avançava em direção à Penitenciária Central do Estado. A suspeita era de que a estrutura pudesse ser usada em uma tentativa de retirada de presos ligados à facção.
Virgulino ainda é relacionado pelas autoridades a investigações envolvendo ataques contra instituições financeiras e tráfico de drogas. Em uma das ações policiais ligadas ao seu círculo, agentes encontraram quase duas toneladas de maconha em uma propriedade rural.
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