Quatro relógios Rolex, uma arma de fogo, munições, joias, celulares e um computador foram apreendidos pela Polícia Civil durante o cumprimento de mandado de busca na residência do suplente de deputado estadual Hugo Garcia (PSDB), em Cuiabá, nesta terça-feira (25). Ele é ex-presidente do Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT) e um dos alvos da Operação Mandato Espúrio.
A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá apura movimentações financeiras consideradas irregulares que ultrapassam R$ 1 milhão nas contas do instituto. Além de Hugo Garcia, também é investigado o ex-diretor-executivo da entidade, Afrânio Migliari.
Os dois são investigados, em tese, pelos crimes de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica. O Imafir-MT figura como vítima no inquérito e, segundo a Polícia Civil, colabora com as investigações.
Rolex, joias e arma apreendidos
Imagens divulgadas após o cumprimento das buscas mostram quatro relógios da marca Rolex entre os bens recolhidos pelos policiais. Também foram apreendidos anéis, uma pulseira, uma arma de fogo com munições, aparelhos celulares e um computador da Apple. Uma das reportagens sobre a operação informa que a arma estava acompanhada de dez munições.
Entre os relógios identificados nas imagens estão modelos como Rolex Datejust 41, Deepsea, Submariner Date conhecido como “Starbucks” e Datejust 31. As estimativas de mercado divulgadas para esses modelos variam significativamente conforme versão, ano, estado de conservação e procedência. Por isso, o valor efetivo dos itens apreendidos ainda depende de avaliação específica.
Os materiais apreendidos deverão ser analisados no decorrer do inquérito para verificar eventual relação com os fatos investigados.
Movimentações passam de R$ 1 milhão
A Operação Mandato Espúrio investiga atos praticados durante uma disputa interna pelo comando e pela representação legal do Imafir-MT.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de que um ex-dirigente tenha continuado realizando atos administrativos e movimentações financeiras mesmo após a homologação de um acordo judicial e uma decisão que restringiam sua atuação em nome do instituto. A Polícia Civil, no material divulgado inicialmente, não individualizou todas as condutas atribuídas a cada investigado.
A investigação também analisa alterações no estatuto da entidade, a disputa pela administração do instituto e movimentações patrimoniais realizadas em favor de pessoas físicas e jurídicas ligadas à gestão da época.
De acordo com a Derf, as transações sob suspeita ultrapassam R$ 1 milhão. Uma delas, de aproximadamente R$ 774 mil, teria sido direcionada a uma conta pessoal e a uma empresa pertencente ao então diretor-executivo do Imafir-MT.
Outra transferência investigada, no valor de R$ 270 mil, teve como destinatário um escritório de advocacia. Os investigadores buscam esclarecer as autorizações, justificativas e a destinação final desses recursos.
Justiça bloqueou contas e acessos bancários
Ao todo, foram cumpridos em Cuiabá dois mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias – Polo Cuiabá.
A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e a suspensão dos acessos dos investigados às contas do Imafir-MT.
As restrições alcançam mecanismos utilizados para movimentações financeiras, como perfis de acesso, credenciais eletrônicas, tokens, certificados digitais, assinaturas eletrônicas e Chave J. Com as medidas, os investigados ficam impedidos de autorizar pagamentos, transferências, Pix, aplicações e resgates em nome da instituição.
Documentos, telefones, computadores e registros contábeis recolhidos durante a operação deverão passar por análise e perícia para ajudar a reconstruir o caminho do dinheiro e esclarecer as movimentações investigadas.
Hugo Garcia disputa eleição para a ALMT
Hugo Garcia é produtor rural, suplente de deputado estadual e atualmente disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso pelo PSDB. Em 2022, concorreu pelo Republicanos e recebeu 6.774 votos.
Em 2024, assumiu temporariamente uma cadeira na Assembleia Legislativa durante licença do deputado estadual Valmir Moretto.
Neste ano, conforme dados do DivulgaCand citados em veículos locais, Hugo declarou patrimônio de aproximadamente R$ 9,49 milhões à Justiça Eleitoral. Entre os bens declarados estão máquinas agrícolas, participação em empresas e um apartamento em Cuiabá avaliado em R$ 613,4 mil.
Prisão em blitz em 2024
Em setembro de 2024, quando exercia temporariamente o mandato de deputado estadual, Hugo Garcia foi abordado em uma blitz da Operação Lei Seca na Avenida Beira Rio, em Cuiabá.
Segundo o boletim de ocorrência divulgado à época, ele conduzia um Porsche Cayenne e apresentava sinais de ingestão de bebida alcoólica. Hugo se recusou a realizar o teste do bafômetro, foi conduzido à delegacia e deixou o local após pagar fiança.
Na ocasião, Hugo contestou parte da versão registrada sobre a abordagem. Em entrevista à Rádio Cultura FM reproduzida pelo Só Notícias, afirmou que havia sido “conduzido” à delegacia e confirmou ter pago fiança, além de negar que tivesse tentado trocar de lugar com outra pessoa no veículo.
Investigação continua
A Operação Mandato Espúrio está em fase de investigação. As medidas cumpridas nesta terça-feira são cautelares e não representam condenação dos investigados.
A Polícia Civil ainda deverá analisar o material apreendido para determinar a participação individual de cada investigado e verificar se há elementos para eventual indiciamento.
Até a publicação das informações consultadas, não havia sido divulgado posicionamento de Hugo Garcia sobre as apreensões realizadas nesta terça-feira. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa.


























